"Gazeta do Povo" é alvo de novas ações de juízes; jornal soma 48 processos em 19 locais

A Gazeta do Povo tem sido alvo de assédio jurídico desde que publicou em três reportagens sobre os rendimentos dos membros do

Atualizado em 21/06/2016 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

A tem sido alvo de assédio jurídico desde que publicou em três reportagens sobre os rendimentos dos membros do Judiciário e do Ministério Público do Estado. Quando o caso veio à tona, juízes e promotores tinham movido 36 ações contra o veículo. Entretanto, após a repercussão nacional e internacional do fato, o jornal paranaense já soma 48 ações, em 19 cidades do Paraná.

Crédito:Divulgação/Aniele Nascimento Guilherme Storck, Chico Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogerio Galindo e Evandro Balmant

De acordo com a Folha de S.Paulo , os magistrados alegam que foram ofendidos pelas matérias que divulgavam os “supersalários” da categoria. Os textos indicavam que o rendimento médio de juízes e integrantes do MP-PR superou o teto constitucional — de R$ 30.471,10 — em mais de 20% no ano passado.

Para repudiar o veículo e os cinco profissionais envolvidos na apuração – os jornalistas Chico Marés, Rogério Galindo, Euclides Lucas Garcia, além do analista de sistemas Evandro Balmant e do infografista Guilherme Storck Lucas – , juízes e promotores do Paraná entraram como ações individuais de dano moral.

Novas ações

Cinco ações foram iniciadas após a repercussão do caso na imprensa, enquanto outras sete já haviam sido ajuizadas, mas notificadas posteriormente. Os autores dos processos afirmam que as r eportagens têm conteúdo "ofensivo à magistratura”.

Os processos foram protocolados em Juizados Especiais, o que os obriga a comparecer a todas as audiências de conciliação para não serem condenados à revelia. Até o momento, as i ndenizações pedidas somam R$ 1,5 milhão.

O veículo entende que "essa pulverização de demandas nos juizados especiais é utilizada como um mecanismo de intimidação dos meios de comunicação, seja pelo impedimento do trabalho dos jornalistas, seja pelo alto valor financeiro das condenações devido ao volume de processos, o que poderia inviabilizar financeiramente a atividade jornalística".

Leonardo Mendes Júnior, diretor de redação da Gazeta do Povo , falou à IMPRENSA sobre os novos processos e a rotina dos profissionais nessa defesa em diversas cidades do Paraná. " É difícil mensurar se foi a repercussão [do caso] ou se foi p fato de ter tido uma condenação que mexeu com esse número de ações. Não tem como fazer uma avaliação precisa. Da nossa parte, seguimos com o entendimento claro de que o que fizemos tinha elevadíssimo interesse público. Os dados todos eram públicos e não há nenhum erro nas reportagens. Seguimos com a nossa estratégia de defesa e esperando que o Supremo olhe para o caso e entenda que, por atingir amplamente a magistratura paranaense, deve sair do judiciário local e deve ser julgado dentro do STF".

Muitos magistrados entendem que o fato de o jornal ter dado direito de resposta à classe após as reportagens seria uma espécie de mea culpa do veículo por publicar os dados sobre os salários de membro do judiciário local. Mendes Júnior rebate esta ideia.

"Entendo que o espaço que demos para a manifestação deles como um passo normal que as matérias se propunham, ou seja, que era fazer o debate público sobre o teto salarial e do quanto as normas desse teto conseguem abraçar tudo o que compõe a remuneração, seja os juízes, desembargadores, promotores e procuradores. Não é admissão de erro, até porque não teve erro na matéria".

O diretor de redação ainda comenta a para o comparecimento nas audiências e como isso tem impacto na rotina da Gazeta do Povo . "Os três repórteres são da editoria de política, ou seja, compõem metade da equipe, os outros dois fazem parte de um núcleo de seis pessoas, que perde um terço da força de trabalho. Então, isso cria uma sobrecarga grande que a redação como um todo tem de absorver. Mas, o prejuízo maior, está no fato de eles não conseguirem exercer normalmente a profissão".

Para dar uma ideia disso, o jornalista revela que os cinco viajarão para cinco locais em apenas quatro dias. "Eles saem na segunda de manhã para uma audiência em Maringá, de lá vão para Cornélio Procópio na terça, depois partem para Amuarana para audiência na parte da manhã e à tarde para outra em Cascavel e na quinta têm outra na Lapa, na região metropolitana".

As viagens também têm impactado bastante a vida pessoal da equipe. "Numa infeliz coincidência, a esposa de um dos repórteres está grávida e o parto previsto para a próxima semana. Olhando pelo aspecto pessoal, o prejuízo deles é enorme".

Entretanto, o Mendes Júnior vê nessa ação dos juízes um enorme prejuízo para todo o meio jornalístico, que pode se complicar ainda mais, caso o Supremo não mude o foro dos processos." Enquanto não tiver um posicionamento do Supremo, a situação fica dependendo muito do julgamento individual de cada juiz do Estado de fazer parte ou não dessa ação, que para nós tem sinais claríssimos de que uma ação coordenada", conclui.


Acompanhe o mapa de deslocamento dos profissionais da Gazeta do Povo nas audiências do caso



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