Frei Betto reforça pedido para abertura de arquivos da ditadura
Frei Betto reforça pedido para abertura de arquivos da ditadura
"A memória do país precisa ser expressa não por vingança, mas por justiça". Com essa afirmação, o religioso da ordem dominicana e ex-perseguido político, Frei Betto, abriu o projeto Anistia Cultural, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, na última quinta-feira (21), defendendo a abertura de arquivos do período da Ditadura Militar no Brasil.
Durante quase uma hora, Frei Betto falou sobre sua experiência de combate ao regime militar nas décadas de 60, 70 e 80, nas quais foi perseguido político e preso por quatro anos, passando por oito cárceres diferentes em todo o País.
Para o presidente da Comissão, Paulo Abrão, é importante que o órgão agregue outras tarefas além do julgamento de processos. "Estamos passando a história do país a limpo. Precisamos transformar este trabalho em reflexão política", defendeu.
Para ele, é imprescindível a formação política da juventude para que as conquistas democráticas sejam mantidas. O pensamento é o mesmo do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto. "A Anistia é um instrumento eficiente para o Brasil reparar a história, além de ser um dos pilares da democracia", disse o secretário.
Frei Betto pediu a abertura dos arquivos da ditadura militar, para que as gerações que não viveram o período conheçam a história do país e para que momentos de exceções não voltem a acontecer. "O trabalho da Comissão é de suma importância para o país construir uma democracia participativa".
Ainda assim, a juíza federal Solange Salgado, da 1ª Vara do Distrito Federal, determinou que a União tem até o próximo mês de maio para informar às famílias onde estão os corpos de 58 ativistas desaparecidos durante a Guerrilha do Araguaia (1972-1975).
Na última semana, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também cobrou das autoridades informações sobre fatos do período militar. A OAB encaminhou ao Superior Tribunal Militar (STM) uma notícia-crime para que seja investigada a denúncia de que foram destruídos documentos do serviço secreto das Forças Armadas do período de 1964 a 1985, referentes à Guerrilha do Araguaia.
No entendimento da OAB, a Lei de Anistia não se aplica a esse caso porque o sumiço e a destruição dos papéis podem ter ocorrido depois da promulgação da lei.
De acordo com o relator da proposta, o conselheiro Nélio Machado, o extravio desses documentos "é uma tentativa de se apagar da história do País algo de escabroso que, efetivamente, ocorreu, com violências, sevícias, torturas e mortes na chamada Guerrilha do Araguaia".
A proposta de apuração de responsabilidades, nesse caso, foi feita pelo jurista Fábio Konder Comparato e aprovada, por unanimidade, pelos conselheiros da OAB. "Essas pessoas devem responder pelo crime de extravio de documentos, contemplado pelo Código Militar e que prevê pena de reclusão de 2 a 6 anos", afirmou Machado.
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