Franklin Martins decreta: "Lula não entende, não gosta e não percebe o que está acontecendo"
Franklin Martins decreta: "Lula não entende, não gosta e não percebe o que está acontecendo"
Filho de um ex-senador da República - Mário Martins - Franklin e seus nove irmão cresceram debatendo política. Aos 20 anos, como estudante de Ciências Econômicas da UFRJ, Franklin foi eleito presidente do DCE da Universidade e, logo depois, vice presidente da União Metropolitana dos Estudantes, do Rio de Janeiro. Foi nessa condição que liderou a antológica "Passeata dos 100 mil", ao lado de Vladmir Palmeira. Em 1969, na clandestinidade, participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick e forçou o governo a libertar 15 presos políticos.Entre eles, José Dirceu. Em 1982, Franklin tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas teve uma votação pífia. Só então ele decidiu entrar de cabeça no jornalismo. "Não quero mais viver em um mundo filtrado. Cansei das seitas", pensou. Atualmente, como comentarista da Globo em Brasília, Franklin Martins é uma das vozes mais respeitadas quando o assunto é crise. Nesta entrevista para IMPRENSA, cuja a versão completa estará nas bancas a partir da primeira semana de agosto, Franklin passa a limpo a crise do petismo e do governo sob o olhar de quem conhece melhor do que ninguém seus personagens e dilemas. Acompanhe: "Se o Lula for derrotado, será pela direita" IMPRENSA - Você acha que o Lula e o Genoino não sabiam de nada? Franklin Martins - É espantoso que o Genoino não sabia de nada. Ele se comportou como um presidente (do PT) que era apenas um porta voz do partido, que não cuidava do cotidiano. Conheço o Genoino há 40 anos. Ele é um cara íntegro do ponto de vista pessoal. Um cara que não lida com dinheiro. Quanto ao Lula, ele é um gênio na percepção do Brasil profundo, mas um desastre na política institucional. Ele não entende, não gosta e não percebe o que está acontecendo. Então acaba delegando para terceiros, porque acha que isso deve ser driblado. IMPRENSA - Essa história de "mensalão" não é uma pauta conhecida há muito tempo em Brasília? Franklin - Não. Eu nunca tinha ouvido esse termo "mensalão". Desafio alguém a dizer que já tinha ouvido esse termo antes. O que havia era um bochcicho que surgiu em 2004, a partir do momento em que candidatura do João Paulo (Cunha) começou a naufragar, quando não foi aprovada a emenda para a reeleição do presidente da Câmara. A Câmara parou. Houve um tremendo mal estar. E começaram a surgir histórias aqui e ali: "Fulano trocou de partido, sicrano levou uma vantagem".
"A Heloisa Helena, se for candidata a deputada, corre o risco de não se eleger em Alagoas" IMPRENSA - Quem deve herdar o vácuo político deixado pelo PT, sobretudo no campo da esquerda? Franklin - Essa é uma das interrogações mais interessantes do momento. Converso com outros jornalistas e políticos e faço a mesma pergunta. O PT tem hoje 90 deputados. Dizem que o PT não elege 60 na próxima Câmara. Ok, concordo. Mas quem é que vai ficar com esses 30 deputados do PT? Para onde eles vão? Para o PFL, PSDB ou PSOL? O PSOL vai eleger no máximo 5 deputados. Eu me surpreenderia se eles se elegessem mais que isso. A Heloisa Helena se for candidata a deputada - e não a presidente - corre o risco de não se eleger em Alagoas. Ela precisa de 12,5% dos votos do estado para eleger um deputado. É voto que não acaba mais. Também acredito que o Baba não se eleja no Pará. A Luciana Genro pode ser que se eleja no RS. Vamos deixar claro o seguinte: o eventual fracasso do governo Lula fortalece as correntes conservadoras do país, a direita, e não as correntes e partidos a esquerda do PT. Se o Lula for derrotado, será pela direita. E vai surgir muito tempo para surgir um novo governo de esquerda. IMPRENSA - Depois do seqüestro do embaixador americano, uma carta escrita por você, que era do MR-8, foi lida no Jornal Nacional. Segundo o livro e o filme de O que é isso companheiro?, do Fernando Gabeira, a carta foi escrita por ele... Franklin - Não entendo porque o Gabeira quis dar a entender, durante tanto tempo, que foi ele quem escreveu a carta. Fui eu que escrevi o texto básico e depois submeti à direção da Dissidência. Depois submeti ao Toledo, que era o dirigente da ALN. Ele gostou muito e sugeriu apenas que eu fizesse uma advertência aos torturadores. O Gabeira, que estava dentro do aparelho, fez algumas sugestões. Deu uma copidescada. 





