Fotógrafo de Rondônia diz ter sido ameaçado por cobrir greve dos bancários
Fotógrafo de Rondônia diz ter sido ameaçado por cobrir greve dos bancários
O repórter fotográfico do jornal O Estadão do Norte , Eliênio Nascimento, diz ter sido intimidado durante cobertura da greve dos bancários da Caixa Econômica Federal, em Porto Velho (RO), na última terça-feira (20). De acordo com o fotógrafo, seguranças contratados pelo Sindicato dos Bancários ameaçaram quebrar seu equipamento caso continuasse a registrar o modo truculento como os grevistas impediam os clientes de entrar na agência.
| Divulgação | |
| Eliênio Nascimento |
Na quarta-feira (21), Nascimento retornou à agência para cobrir novamente a greve e a truculência de alguns bancários e afirma ter sido recebido pelo presidente que o fotografava como forma de intimidação, avalia. "Se você pode me fotografar, eu também posso", disse o presidente, segundo o fotógrafo.
Horas mais tarde, à noite, o fotógrafo recebeu três ameaças por telefone. Do outro lado da linha, a pessoa repetia sempre a mesma frase: "Seus dias estão contados pela merda que saiu no jornal". Imediatamente, Nascimento foi a uma delegacia próxima a sua casa e registrou o incidente. "Eu não vou deixar me intimidar e nem o jornal", disse o fotógrafo.
Cleyton dos Santos, presidente do Sindicato, afirmou à IMPRENSA que a entidade não possui qualquer suporte de vigilância ou esquema de segurança que acompanhe as manifestações. Acrescentou, ainda, que tentou dialogar com o fotógrafo ao ser informado das supostas ameaças, mas que o mesmo não quis diálogo.
O presidente da entidade afirmou também que o repórter fotográfico, do qual ele afirma não saber o nome, não estava identificado e deduziu que o mesmo era fotógrafo em razão do equipamento que carregava.
Sobre a suposta intimidação no dia posterior ao primeiro desentendimento, Santos afirma que não fotografou Nascimento, mas registrava a manifestação dos sindicalistas e, caso o fotógrafo tenha sido flagrado em uma das fotografias, não passa de mera coincidência.
Ele revelou estar surpreso com a reação da empresa de Porto Velho a respeito do incidente, já que, diz Santos, sempre preservou relação de cooperação com a mídia local.
Para o presidente do Sindicato, associar as ameaças por telefone ao episódio da greve é ato "leviano". "Acho isso leviano, extremamente perigoso. Ele teria primeiro que identificar a fonte da ameaça para depois acusar, é leviano vincular o sindicato a isso. Eu repudio essa atitude". Ele informou que o sindicato irá se pronunciar oficialmente por meio de comunicação à imprensa ainda na tarde desta quinta-feira (22).
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