Fórum de Acesso a Informações Públicas denuncia MS a órgãos de controle por falta de transparência

Onze entidades assinam nota técnica que expõe ao menos sete situações que confirmam que Ministério não divulga amplamente dados sobre covid

Atualizado em 11/12/2020 às 13:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, coordenado pela Transparência Brasil, encaminhou nessa quinta (10) uma a órgãos de controle interno e externo do governo federal acerca da falta de transparência do Ministério da Saúde quando aos dados sobre a covid-19.

Crédito:Agência Brasil

As onze organizações da sociedade civil que fazem parte do Fórum pedem providências à Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União, à Comissão Mista do Congresso Nacional Covid-19, Ministério Público Federal e Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União.


A nota foi elaborada seis meses após uma carta assinada por 100 organizações, que apontava sucessivas tentativas de eliminar dados públicos sobre o coronavírus no Brasil, e que foi enviada ao governo federal, mas não recebeu resposta.


O novo documento denuncia a falta de atualização de boletins epidemiológicos e atrasos na divulgação de dados sobre a doença e iniciativas para mitigar seus efeitos, como números de leitos, distribuição de testes e de medicamentos hospitalares. São citadas ainda estratégias usadas para prejudicar a cobertura jornalística da maior crise sanitária da história recente.


O texto traz ao menos sete situações registradas entre janeiro e novembro de 2020 que confirmam a falta de transparência do Ministério da Saúde em relação à pandemia:


1.Painel Coronavírus Brasil: instável e em permanente risco de retirada do ar;


2.Painel de vírus respiratórios: não é possível saber nem sequer quando foi atualizado pela última vez;


3.Dados sobre insumos, medicamentos e testes: há painéis atualizados pela última vez em outubro;


4.Boletins epidemiológicos: há um vácuo de 1 mês entre a edição mais recente e a anterior;


5.Dados sobre leitos disponíveis: atualizados pela última vez em meados de outubro;


6.Ausência, nos painéis de consulta a dados, de recortes por gênero e raça/cor (não há sequer possibilidade de aplicação de filtros);


7.Omissão, nos microdados, de variáveis de localização (CEP ou setor censitário de residência).


Relação com a imprensa


O documento também aponta a deterioração da relação da pasta com a imprensa, a partir de relatos de associados da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que integra o Fórum.


Dados coletados nas agendas públicas de autoridades e meios de comunicação oficiais mostram que de 23 de janeiro a 23 de maio, eram realizadas em média uma coletiva a cada 1,6 dia. A partir de 23 de maio, era uma a cada 4,3 dias. E entre 29 de outubro e 12 de novembro não houve nenhuma entrevista.


Além disso, a presença do ministro Eduardo Pazuello é rara e, quando ocorre, só é permitido o credenciamento de cinegrafistas, para que não sejam feitas perguntas. A pesquisa ainda afirma que as respostas dadas nas entrevistas tratam de temas não correspondentes às perguntas dos jornalistas e a assessoria de comunicação limita ou mesmo impede perguntas complementares para esclarecimento.


“Em um primeiro momento, a sociedade fica impedida de acessar dados precisos sobre a evolução da doença, já que não há atualização. Em outra camada, a difusão massiva de informações em formato mais acessível fica comprometida, à medida que os jornalistas são impedidos de acompanhar, de forma livre e independente, as ações da pasta, sendo portanto alijados do processo de levar os questionamentos da sociedade às autoridades”, avalia Marina Atoji, coordenadora do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas.


A nota técnica foi assinada pelas seguintes organizações: Transparência Brasil, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Fiquem Sabendo, Instituto de Governo Aberto, Open Knowledge Brasil, ANDI – Comunicação e Direitos, Associação Contas Abertas, Inesc, ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística (UFSC), RENOI – Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (UnB) e Instituto Ethos.