Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas
Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas
Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas
Os americanos lançam mão de todo e qualquer meio de comunicação para resolver seus crimes. Jornais, revistas, rádio, pôsteres, outdoors, serviços de telefone para denúncias anônimas, até sensitivos e pessoas com poderes paranormais: vale tudo para levantar informações que possam solucionar um caso. Em sequestros, especialmente de crianças, suas fotos e nomes aparecem estampados em embalagens de leite e cereais.
Até painéis eletrônicos, ao longo de estradas, transmitem, em tempo real, informações e imagens da vítima, do provável suspeito e do carro sendo usado na fuga.
Unsolved Mysteries (Mistérios Insolúveis) e America's Most Wanted (Os mais procurados da América) são alguns dos programas na televisão que também pedem a participação do público na solução dos crimes. Existe até uma emissora, Court TV, cuja programação é exclusivamente sobre delitos, criminosos, policiais, detetives, criminalistas, psiquiatras, legistas, advogados, juízes e toda e qualquer pessoa ou atividade direta ou remotamente relacionada ao assunto. É uma verdadeira fascinação nacional, realimentada a cada novo crime.
Há quatro anos, mais uma "mídia" foi incorporada a esse arsenal: cartas de baralho com fotos e informações de vítimas de crimes jamais solucionados, chamados de " cold cases ". As cartas também trazem um número de telefone e a garantia de anonimato para quem fizer a denúncia. A diferença é que essa mídia não mira a população em geral, mas somente um público específico: os presidiários ou criminosos em liberdade condicional, os chamados "foras da lei" que, teoricamente, podem ter conhecimento ou informações sobre crimes ainda não solucionados.
A idéia nasceu em 2005 num condado no centro do estado da Flórida, chamado Polk, que compreende 17 cidades -- a maior e mais importante sendo Lakeland -- e cuja economia é baseada na cultura de citrus, pecuária e mineração.
Quase imediatamente após a distribuição do primeiro deck de cartas para os 2,5 mil presos nas cadeias daquele condado, as autoridades começaram a receber pistas e informações sobre 52 cold cases de homicídios. Dois deles foram solucionados em pouco tempo com dicas geradas a partir de denúncias dos presidiários, o que trouxe satisfação e prestígio para os policiais envolvidos e algum conforto e justiça para os familiares das vítimas. Desde então, o programa foi ampliado para outros 13 condados na Flórida, que também produziram seus decks de cartas com cold cases locais.
Em 2007, o governo da Flórida selecionou os casos mais antigos e intrigantes em cada um de seus 67 condados e com eles produziu dois conjuntos de baralho que foram distribuídos para 93 mil prisioneiros nas 129 penitenciárias do estado. Dois casos de assassinatos (vítimas James Foote e Ingrid lugo) foram resolvidos logo após e pistas sobre muitos outros continuam a ser recebidas regularmente.
Já em agosto de 2008, saiu a terceira edição com inéditos 52 cold cases e 206 mil conjuntos de cartas foram distribuídos em todas as prisões e penitenciárias da Flórida e nos 156 escritórios de vigilância e controle dos prisioneiros em liberdade condicional.
Outros estados americanos, incluindo Texas, Califórnia, Illinois, Washington, Missouri e New York implementaram programas semelhantes e têm distribuído seus próprios conjuntos de cartas com casos locais. Até autoridades na Austrália adotaram a ideia baseadas no modelo da Flórida.
Os recursos para patrocinar a criação e distribuição das cartas de baralho vêm de entidades oficiais e civis interessadas na solução dos casos, como associação de policiais e delegados, promotorias públicas, pais, parentes e amigos de vítimas, como o casal Doug e Mary Lyall, fundadores da entidade não governamental Center for Hope ( Centro da Esperança).
O casal criou a organização após o misterioso desaparecimento de sua filha, Suzanne, em março de 1998, na cidade de Ballston Spa,no estado de New York. A moça sumiu sem pistas e a polícia investiga o caso como um homicídio, embora o corpo jamais tenha sido encontrado. Seus pais criaram o centro para congregar e ajudar famílias de outros desaparecidos, educar a população sobre medidas de prevenção contra esse tipo de crime e forçar legisladores a aprovar leis mais duras para punição dos responsáveis.
Para informações mais detalhadas, acesse os seguintes sites: e .
As três edições de cartas de baralho publicadas no estado da Flórida podem ser vistas : (clique no link Unsolved Homicides e depois no Cold Case Playing Cards ).






