Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas

Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas

Atualizado em 17/06/2009 às 09:06, por Silvia Dutra.

Fora da TV, Cold Cases são resolvidos com jogo de cartas

Os americanos lançam mão de todo e qualquer meio de comunicação para resolver seus crimes. Jornais, revistas, rádio, pôsteres, outdoors, serviços de telefone para denúncias anônimas, até sensitivos e pessoas com poderes paranormais: vale tudo para levantar informações que possam solucionar um caso. Em sequestros, especialmente de crianças, suas fotos e nomes aparecem estampados em embalagens de leite e cereais.
Até painéis eletrônicos, ao longo de estradas, transmitem, em tempo real, informações e imagens da vítima, do provável suspeito e do carro sendo usado na fuga.

Unsolved Mysteries (Mistérios Insolúveis) e America's Most Wanted (Os mais procurados da América) são alguns dos programas na televisão que também pedem a participação do público na solução dos crimes. Existe até uma emissora, Court TV, cuja programação é exclusivamente sobre delitos, criminosos, policiais, detetives, criminalistas, psiquiatras, legistas, advogados, juízes e toda e qualquer pessoa ou atividade direta ou remotamente relacionada ao assunto. É uma verdadeira fascinação nacional, realimentada a cada novo crime.

Há quatro anos, mais uma "mídia" foi incorporada a esse arsenal: cartas de baralho com fotos e informações de vítimas de crimes jamais solucionados, chamados de " cold cases ". As cartas também trazem um número de telefone e a garantia de anonimato para quem fizer a denúncia. A diferença é que essa mídia não mira a população em geral, mas somente um público específico: os presidiários ou criminosos em liberdade condicional, os chamados "foras da lei" que, teoricamente, podem ter conhecimento ou informações sobre crimes ainda não solucionados.

A idéia nasceu em 2005 num condado no centro do estado da Flórida, chamado Polk, que compreende 17 cidades -- a maior e mais importante sendo Lakeland -- e cuja economia é baseada na cultura de citrus, pecuária e mineração.

Quase imediatamente após a distribuição do primeiro deck de cartas para os 2,5 mil presos nas cadeias daquele condado, as autoridades começaram a receber pistas e informações sobre 52 cold cases de homicídios. Dois deles foram solucionados em pouco tempo com dicas geradas a partir de denúncias dos presidiários, o que trouxe satisfação e prestígio para os policiais envolvidos e algum conforto e justiça para os familiares das vítimas. Desde então, o programa foi ampliado para outros 13 condados na Flórida, que também produziram seus decks de cartas com cold cases locais.

Em 2007, o governo da Flórida selecionou os casos mais antigos e intrigantes em cada um de seus 67 condados e com eles produziu dois conjuntos de baralho que foram distribuídos para 93 mil prisioneiros nas 129 penitenciárias do estado. Dois casos de assassinatos (vítimas James Foote e Ingrid lugo) foram resolvidos logo após e pistas sobre muitos outros continuam a ser recebidas regularmente.

Já em agosto de 2008, saiu a terceira edição com inéditos 52 cold cases e 206 mil conjuntos de cartas foram distribuídos em todas as prisões e penitenciárias da Flórida e nos 156 escritórios de vigilância e controle dos prisioneiros em liberdade condicional.

Outros estados americanos, incluindo Texas, Califórnia, Illinois, Washington, Missouri e New York implementaram programas semelhantes e têm distribuído seus próprios conjuntos de cartas com casos locais. Até autoridades na Austrália adotaram a ideia baseadas no modelo da Flórida.

Os recursos para patrocinar a criação e distribuição das cartas de baralho vêm de entidades oficiais e civis interessadas na solução dos casos, como associação de policiais e delegados, promotorias públicas, pais, parentes e amigos de vítimas, como o casal Doug e Mary Lyall, fundadores da entidade não governamental Center for Hope ( Centro da Esperança).

O casal criou a organização após o misterioso desaparecimento de sua filha, Suzanne, em março de 1998, na cidade de Ballston Spa,no estado de New York. A moça sumiu sem pistas e a polícia investiga o caso como um homicídio, embora o corpo jamais tenha sido encontrado. Seus pais criaram o centro para congregar e ajudar famílias de outros desaparecidos, educar a população sobre medidas de prevenção contra esse tipo de crime e forçar legisladores a aprovar leis mais duras para punição dos responsáveis.

Para informações mais detalhadas, acesse os seguintes sites: e .

As três edições de cartas de baralho publicadas no estado da Flórida podem ser vistas : (clique no link Unsolved Homicides e depois no Cold Case Playing Cards ).