Foca na IMPRENSA: "Cobertura Jornalística", por Jéssica Carvalho, da UFBA
Foi-se o tempo em que a disputa política era feita apenas nos palanques e carretas e a função do jornalismo era unicamente de dar
Atualizado em 15/10/2014 às 01:10, por
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Artigo vencedor da 1ª quinzena de outubro de 2014
visibilidade aos acontecimentos do mundo político. Mais que nunca, o jornalismo forma opiniões e influencia nas decisões políticas. Age ativamente, encomendando pesquisas de intenção de voto, organizando debates, enquadrando as informações que chegam aos eleitores e pautando os temas a serem discutidos pelos candidatos.Embora não seja clara a intensidade dos efeitos persuasivos da cobertura política, sabe-se da importância do tratamento dado pela mídia às eleições. Lazarsfeld, Berelson e Gaudet em The Peoples's Choice já ressaltavam o poder de reforço da exposição constante de mensagens políticas nas intenções de voto, poder que também é reconhecido por eleitores e políticos. O pedido de resposta da candidata Dilma à reportagem do Estadão sobre a entrega de panfletos de sua campanha pelos Correios é um exemplo deste reconhecimento.
Junto à participação cada vez mais significativa, cobra-se do jornalismo transparência e clareza em suas coberturas políticas. Em agosto de 2014 a coluna da ombudsman da Folha de S.Paulo respondeu o que muitos eleitores cobram dos veículos: o partidarismo. Apoiando-se em seu princípio editorial, a Folha escolheu não declarar sua preferência, embora já não seja novidade jornais conhecidos optarem por um posicionamento. Nas eleições de 2012, o The New York Times declarou abertamente seu apoio ao candidato Barack Obama, já tendo apoiado outros candidatos em eleições anteriores. O Estado de S.Paulo também vem adotando o posicionamento diante às disputas.
A não declaração pela preferência por um ou outro candidato passou a ser vista por alguns como um meio de ocultar as possíveis inclinações políticas que o veículo traz em suas reportagens. É frequente entre os eleitores a ideia de que, embora não assuma, o jornal sempre possui uma inclinação política definida e usa-a para moldar os fatos aos seus interesses. A pergunta que muitos fazem é “Se os veículos possuem afinidades políticas, por que não tornar claro quais elas são?”.
Para outros, no entanto, a função social do jornalismo é descaracterizada diante da ameaça de partidarismo. Duramente criticado por telespectadores e jornalistas, o apresentador William Bonner rebateu as reprimendas direcionadas a ele, alegando sempre fazer as perguntas que os candidatos prefeririam não ouvir. É novamente o dilema do papel do jornalismo e o princípio da imparcialidade.
Expressando-a ou não, a verdade é que as eleições estão na agenda de todos os veículos e estes investem incessantemente em apuração e coberturas amplas. A atenção dispensada às eleições é grande, tornando a mídia personagem ativo no processo eleitoral.
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