Filho do jornalista Tim Lopes lembra em carta sete anos da morte de seu pai
Filho do jornalista Tim Lopes lembra em carta sete anos da morte de seu pai
Para lembrar a morte do jornalista Tim lopes, que completa sete anos nesta terça-feira (02/06), seu filho, o também jornalista Bruno Quintella, divulgou uma carta publicada no jornal carioca O Globo . Em junho de 2002, o repórter da Rede Globo investigava denúncias envolvendo criminosos da favela Vila Cruzeiro (RJ), no abuso sexual contra menores da região, quando foi surpreendido, preso e morto por traficantes do local.
Na carta, seu filho diz que "poderia escrever mais uma vez sobre violência. Sobre tráfico de drogas e de armas. Também poderia discorrer ideias ou pensamentos criticando a política de segurança do estado - ou a falta dela. Muros da discórdia. Ou falar de assassinatos e torturas. Crimes e mortes".
"Poderia (...) relembrar casos do jornalista Tim Lopes, da equipe de reportagem do jornal O Dia e do bravo fotógrafo André Az, por exemplo (...) Também não seria novidade levantar outras questões, como o inferno que viveram agora - ou vivem - moradores de Copacabana e do Leme, na Zona Sul (...)".
"Não, não vou tocar nesse assunto. Nem deveria, porque estamos cansados da violência (...) A violência não escolhe profissão nem cartáter. A violência, sim, é indiscutivelmente democrática", diz Quintella.
"Hoje quero falar do meu pai. Não do jornalista Tim Lopes. Mas do pai Tim Lopes. Alguém mais sente essa falta? Não. Ninguém. A saudade é imensa e, há sete anos, todo mês de junho é assim. A temperatura é mais amena, mas o frio é sempre maior. O silêncio do outono fala mais alto. Lembro da minha infância, correndo pela redação do Jornal do Brasil , de O Dia ".
Na carta, o filho de Tim Lopes afirma que lembra, além de fatos pessoais, "das matérias que vi nascer em mesas de bar - e depois estampadas na primeira página dos jornais. Outras que abriam o 'Jornal Nacional', ou ainda, as reportagens 'do boa noite do JN. Vê lá, filhote, creditozinho do teu pai'. E eu via, porque não sabia ainda que vaidade e orgulho eram coisas diferentes".
"O jornalista Tim Lopes era o meu pai? Não. O meu pai era o jornalista Tim Lopes. Como filho e também jornalista, não é fácil separar uma coisa da outra. Não que devamos desvencilhá-los, mas acho que sinto mais falta de um do que de outro. Não convivi com o jornalista Tim Lopes nas redações", diz.
Segundo Quintella, ele ouve histórias, imagina os detalhes, como teria sido, como ele teria reagido em determinada situação, como conseguiu aquela entrevista. "É como se percorresse um caminho de volta ao passado, sem nunca tê-lo vivido, mas que é trilhado pela saudade dos amigos e pela memória das matérias. Ler reportagens antigas, ou ainda ouvir 'você é filho do Tim? Ô rapaz, teu pai certa vez...', me fazem ficar mais perto dele, do jornalista. Nunca vou saber como seria, mas posso ter uma ideia de como foi. Mas não em relação ao pai. Essa é a saudade que dilacera o homem", comenta.
Para marcar a data, uma missa será celebrada às 12h no Convento de Santo Antônio pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. Às 18h, será realizado um culto na Igreja Messiânica Jorhrei Center Gávea, na Rua Marquês de São Vicente, 246, na Gávea.
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