FIJ pede maior cobertura de direitos das crianças e adolescentes na América Latina

FIJ pede maior cobertura de direitos das crianças e adolescentes na América Latina

Atualizado em 05/11/2008 às 13:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Em um encontro de jornalistas latino-americanos no Rio de Janeiro na última terça-feira (05), a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) pediu o envolvimento das organizações da categoria na capacitação jornalística, para que sejam incorporados às coberturas temas relacionados aos direitos das crianças e dos adolescentes na América Latina.

Realizado em parceria com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, o "Seminário Regional para a América Latina" contou com a participação de jornalistas do México, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Peru, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, República Dominicana, Venezuela, Colômbia e Brasil.

Segundo Gregório Salazar, coordenador regional da FIJ, a situação das crianças e adolescentes é dramática e requer linguagem apropriada e aprofundamento na abordagem das políticas públicas. "O papel do jornalista é ajudar a diagnosticar o problema, incentivar a discussão e incluir a voz das crianças para a tomada de decisões internacionais", disse.

Rodolfo Casillas, também da FIJ, abordou o tema na história das migrações no México e na América Central. Segundo ele, a exploração sexual e de trabalho infantil sempre esteve presente nas migrações internacionais e nacionais. Apesar de existirem convenções internacionais em alguns países da América Latina que previnem, suprimem e castigam o tráfico de pessoas e o trabalho infantil, não há números confiáveis nem séries estatísticas.

"As redes ilegais sabem que mulheres, adolescentes, meninos e meninas são mais vulneráveis e atuam nesses segmentos. São 3,3 milhões de meninos entre 6 e 14 anos, taxa de emprego infantil de 15,7% e de 26,7% para meninos indígenas. A exploração sexual comercial infantil está ligada a processos socioculturais alterados ou pervertidos e ao descumprimento da lei. Cabe a nós denunciar e acompanhar as ações posteriores", afirmou Casillas. Para a entidade, "não pode haver liberdade de imprensa se os jornalistas exercem sua profissão num cenário de corrupção, pobreza ou medo".

O especialista Guilherme Canela, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), explicou que "todas as causas são defensáveis, mas é impossível entender o problema brasileiro sem compreender a infância. Temos 61 milhões de crianças, um terço da população, nossos pobres são crianças e adolescentes. O maior índice de suicídio do país está entre jovens de 15 a 24 anos, negros".

Ele acredita que se não for feita a cobertura desses assuntos, "estamos fazendo mal jornalismo". "Muitas questões são essenciais, mas a infância é prioridade. Por um lado, combatemos a violência, a exploração sexual e a gravidez precoce, mas por outro oferecemos na mídia programas de entretenimento com violência e apelo sexual", completou.

O especialista da Andi reiterou que para contribuírem com o desenvolvimento, os jornalistas precisam ir além da cobertura de episódios individualizados: "Devemos apurar as políticas de prevenção e de tratamento dos agressores e das vítimas. Não basta dizermos que a culpa é do violador, precisamos fazer uma análise da sociedade como um todo, dizer que tal coisa acontece porque não há políticas públicas. As autoridades terão de responder, ir além das promessas e dizer como vão fazer".

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