FHC diz que "Folha" promovia campanha de "desmoralização" durante seu governo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu em um diário sobre seu período na Presidência (1995-2002) sobre seu desconforto em relação à cobertura feita pela enquanto estava no poder.
Atualizado em 06/10/2015 às 09:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Renato Araujo/ABr Ex-presidente diz ter se sentido perseguido pela "Folha"
Para ele, alguns colunistas visavam tirá-lo do cargo. "É uma nostalgia de impeachment, como se houvesse uma imprensa capaz de derrubar pessoas", descreveu ele no diário que resultou no livro "Diários da Presidência", a ser lançado até o fim do mês.
FHC disse que o jornal distorceu informações e promoveu uma campanha de "desmoralização". Em dezembro de 1995, ele reclamou das colunas de Josias de Souza e Clóvis Rossi sobre o banco Nacional, que, falido, teve ajuda do governo.
Em seu texto, Josias afirmou que foi um "negócio da China", que custou aos contribuintes R$ 4 bilhões na época. "Sob Fernando Henrique, uma banca falida pode fazer misérias", escreveu. Já Rossi, reiterou que uma parente do político, a nora dele, fazia parte da diretoria do Nacional.
O ex-presidente relatou ter telefonado para Octavio Frias de Oliveira, então publisher do jornal, e ameaçou não participar da cerimônia de inauguração do parque gráfico da Folha . "Frias disse que ia fazer os dois engolirem, e fez. Hoje, domingo, ambos escrevem no jornal desdizendo-se", continuou.
Os jornalistas explicaram que não levantavam suspeitas sobre FHC. Josias de Souza disse que não houve imposição de Frias. "Ele falou do desconforto do presidente, frisou que não achou a coluna agressiva e perguntou se eu me importaria de esclarecer o episódio", explicou ele, que hoje escreve sobre política no UOL.
No ano seguinte, FHC reclama novamente. desta vez, menciona a coluna do diretor de Redação, Otávio Frias Filho, que o assemelha a Fujimori, ex-presidente do Peru, que, em 1992, dissolveu o Congresso, censurou a imprensa e fez intervenção no Poder Judiciário.
"Eu não li e não quero ler", disse Fernando Henrique Cardoso sobre o texto intitulado "De rabo para o poder". "Eles me chamam de autoritário, imagina você, achar que por aí pega. Só faltava essa", acrescentou.





