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Fernando Rodrigues e Roberto D’Ávila refletem sobre a arte de fazer entrevistas

Jornalistas participaram do 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Durante o 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, na última sexta-feira (25/7), os jornalistas Fernando Rodrigues e Roberto D’Ávila participaram do painel “A Arte da Entrevista”, mediado por Marcio Chaer, diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico.
Promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o evento acontece de 24 a 26 de julho, em São Paulo. Durante o painel, os jornalistas falaram sobre os desafios da profissão e deram dicas para construir narrativas mais vivas, sem deixar de lado a compreensão de acontecimentos complexos, além de obter boas respostas até mesmo de fontes mais evasivas.
Crédito:Alana Rodrigues Painel trouxe dicas para que os jornalistas obtenham o máximo de seus entrevistados Fernando Rodrigues, repórter e colunista da Folha de S.Paulo , do UOL e da rádio Jovem Pan, falou sobre como as novas plataformas têm influenciado o fazer jornalismo ao destacar as diversas formas de conversar com uma fonte. “A chegada das novas mídias permitiu que os jornalistas passassem a gravar em vídeo, o que deixou o trabalho muito mais acessível”, explicou.
Rodrigues mencionou o exemplo de plataformas utilizadas pela Folha e pelo portal UOL de selecionar entrevistas feitas para a versão impressa ou online e gravá-las em pequenos vídeos para que o leitor possa ter acesso às imagens retalhadas por assuntos.
O jornalista destacou ainda o espaço distinto da TV e da internet, o qual exige uma linguagem específica do público que pretende atingir. “É difícil alguém assistir a um vídeo com mais de um minuto”. Outra curiosidade citada pelo jornalista é o fato de o entrevistado parecer mais reprimido em frente às câmeras de TV, enquanto que, na internet, parece ficar mais à vontade.
O jogo da entrevista
Para o repórter político, durante a preparação para realizar uma entrevista, o profissional deve pensar ao máximo nas respostas do entrevistado e como poderá retrucar para obter uma novidade. “A grande arte da entrevista é tentar imaginar, como em um jogo de xadrez, o maior número de jogadas possíveis do entrevistado”.
Com mais de mil entrevistas feitas ao longo de sua carreira, Roberto D’Ávila, âncora do programa de entrevistas que leva seu nome na GloboNews, pondera a importância de criar empatia com o entrevistado. “Sempre que se trata do ser humano é uma grande arte. Não só a entrevista”.
Ao contrário do direcionamento dado ao gênero nas novas plataformas, D’Ávila revelou gostar de conversas mais longas com a fonte e que não tem uma técnica para fazê-las. “Há pessoas que são mais inquisitivas, outras, não. O jornalista tem de ouvir o entrevistado e deixar que ele formule suas ideias. Às vezes, uma simples pergunta pode trazer respostas sublimes”.
Baú de Histórias
Além da preparação, D’Ávila acredita que a sorte e o acaso são coisas fundamentais - “não só no jornalismo, mas na vida”, acrescentou. Nesse sentido, contou da ocasião em que encontrou o escritor Gabriel García Márquez, na Unesco, e conseguiu entrevistá-lo, ou quando entrevistou o ex-presidente cubano Fidel Castro, pela primeira vez à TV brasileira. Outras entrevistas marcantes foram as com o pintor francês Marc Chagall e o surrealista Salvador Dalí.
Os jornalistas destacaram ainda a diferença do componente cultural latino-americano para países anglo-saxões ao tratar de temas tabus. “Aqui, no Brasil, algumas perguntas podem ser vistas como uma ofensa”, destaca Rodrigues ao relembrar de perguntas delicadas como quando teve de questionar aos candidatos à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) se eles haviam experimentado drogas na juventude.
Para os profissionais, técnicas como perguntar antes para a fonte se há algum assunto que não quer comentar é uma dica importante. Também recomendam que o repórter não passe muito tempo com o entrevistado antes que a entrevista comece, além do cuidado em formular as perguntas na ordem correta de sujeito e predicado. “É um gênero que nunca vai acabar”, completaram.
*Com supervisão de Danúbia Paraizo.

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