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Exposição de fotógrafos da "Zero Hora" mostra a essência do futebol na periferia

Se tem um país que prova diariamente que jogar futebol vai muito além de chuteiras, estádios e demais itens “padrão Fifa”, é o Brasil. Não épreciso ir muito longe para ver crianças correndo atrás de uma bola.

De chinelos, descalços, em qualquer tipo de chão, lá estão os guris.
Em busca da paixão pelo futebol jogado em comunidades brasileiras, os fotógrafos Tadeu Vilani, Bruno Alencastro, ambos do jornal Zero Hora , Jefferson Botega, editor de fotografia da publicação, e Jorge Aguiar, profissional freelancer, se uniram no projeto “Pé de Meia – futebol de várzea”. Crédito:Jefferson Botega Bairro Umbu - Alvorada (RS) Os profissionais fotografaram meninos de 8 a 18 anos em periferias de quatro estados brasileiros. Vilani se dividiu entre as favelas Santa Marta, Alemão e complexo do Alemão no Rio de Janeiro, Moinho e Paraisópolis em São Paulo (SP); Alencastro e Botega focaram em Canoas, Alvorada e Viamão, bairros de Porto Alegre (RS), e Aguiar se voltou para o Rio e Teresina (PI).
Após o financiamento por meio do Catarse, o projeto resultou numa exposição que fica em cartaz até o próximo dia 14 de agosto, em Porto Alegre. Ao todo, são 40 fotografias (10 de cada profissional) em preto e branco que mostram a vida que corre de inúmeros pés pelo Brasil.
“Logo depois da Copa de 2010 eu e o Jorge pensamos em fazer algo juntos. Como fotografamos muito periferia, pensamos em mostrar outra versão da Copa do Mundo. A Copa não chega nas periferias do Brasil. Em 2012 a ideia começou a ganhar corpo", conta Vilani sobre o início. Pouco depois Alencastro e Botega se juntaram aos dois. Crédito:Bruno Alencastro Bairro Guajuvira - Canoas (RS) Acostumado a fotografar as periferias, Vilani acredita que jogar futebol, especialmente nesses locais, vai além de uma brincadeira e pode ser uma oportunidade para escapar, por exemplo, do mundo das drogas. "É uma porta para essa gurizada ir para outra situação de vida”, afirma.
Ele lembra que antigamente os grandes craques costumavam sair das periferias, do futebol de várzea, mas que esse cenário já quase não existe. “Se não me engano, o último jogador que nós sabemos que saiu da periferia para a primeira divisão foi o [Leandro] Damião [atacante do Santos]. Os jogadores de várzea não têm tanta oportunidade. Hoje [os jogadores] são formados em escolinhas de grandes empresários. Não é uma crítica, é só mostrar uma realidade”, diz. Crédito:Jorge Aguiar Bairro Mario Quintana - Porto Alegre (RS) Após sair do Centro Cultural Érico Veríssimo, centro de Porto Alegre, em 14 de agosto, a mostra deve passar por Caxias do Sul (RS) e Passo Fundo (RS). Para aumentar o alcance do trabalho, os quatro deram início à segunda parte do projeto e buscam recursos financeiros.
"Queremos fazer banners em lona com grande qualidade fotográfica para levar às periferias de Porto Alegre", diz Vilani. "É importante mostrar uma exposição no museu, mas é muito mais importante levar ao local onde as pessoas foram fotografadas", finaliza.
"Pé de Meia – futebol de várzea" Centro Cultural Érico Veríssimo (Rua dos Andradas - 4° andar sala Retrato - Porto Alegre/RS) De 10 de junho a 14 de agosto, de terça a sexta (10h às 19h) e sábados (11h às 18h)
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