Exército exige retratação da Revista Época após artigo que acusa corporação de “matar brasileiros”
Texto de Luiz Fernando Vianna faz paralelo entre mortes na ditadura com negligências que mataram milhares agora na pandemia
O Exército enviou uma carta à editora-chefe da Época, Ana Clara Costa, onde “exige imediata e explícita retratação” da revista por um artigo publicado no domingo (17) na . Ele acusa a corporação de agir para “matar brasileiros”, tendo em vista a atuação do general Eduardo Pazuello, como ministro da Saúde durante a pandemia de coronavírus.
Crédito:Folha / Arquivo Pessoal Pazuello e o articulista Luiz Fernando ViannaO articulista afirma que “em vários momentos da nossa história, o Exército brasileiro se pôs a matar a população em grande quantidade”, e cita a Revolta de Canudos, com milhares de mortos, e o regime militar (1964-1985), quando militares foram acusados de torturar e assassinar cidadãos.
Vianna escreve que, apesar de ter se adequado ao seu papel constitucional após a redemocratização, o Exército voltou recentemente a se envolver fortemente na política, agindo para pressionar a Justiça, como na ação do Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Lula, e atualmente, com a ocupação de cargos importantes do governo Jair Bolsonaro por militares, que segundo ele, teve efeitos de um massacre na área da saúde.
“No momento, o Exército participa de um massacre. Um general, Eduardo Pazuello, aceitou ser ministro da Saúde mesmo, como admitiu, sem saber o que é o SUS (Sistema Unificado de Saúde). Suas credenciais eram as de um craque da logística. Ele pode ser bom em distribuir fardas e coturnos, mas, como estamos vendo, não sabe salvar vidas”, escreve o articulista.
Para Vianna, a questão da vacinação contra o coronavírus não se trata de um caso isolado, ao contrário, “Bolsonaro o nomeou para que ele [Pazuello] as fizesse”. E por fim, acusa o Exército de instigar a mobilização de civis contra os poderes Legislativo e Judiciário.
“Indignação”
O Exército afirmou ter recebido o texto com indignação e repúdio, conforme declarou em carta enviada à Época, segundo site Brasil 247. Disse que a argumentação de Vianna revela “ignorância histórica e irresponsabilidade, não compatíveis com o exercício da atividade jornalística”.
A corporação pediu que a Revista “afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor [do artigo] e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconseqüente”.
Segundo o Exército, o comportamento de Vianna foi “leviano e possivelmente criminoso”, e diferente do texto publicado na revista, afirma que tem se empenhado para preservar vidas “estendendo a Mão Amiga”.





