Exército brasileiro monitorou as manifestações pelas redes sociais, diz chefe da Defesa

As manifestações que tomaram as ruas do país em junho foram controladas pelo Exército brasileiro com uma técnica de espionagem semelhante à utilizada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

Atualizado em 17/07/2013 às 13:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Um software de fabricação nacional, em uso pelo Centro de Defesa Cibernética do Exército, selecionou dados postados nas redes sociais e serviu para reconhecer os manifestantes que comandaram os protestos.
Crédito:Divulgação General garante que Exército não coletou informações além dos protestos

Segundo O Globo , os dados foram enviados à Polícia Federal e às Secretarias de Segurança Pública nos estados onde ocorriam as manifestações. As informações foram repassadas ao jornal pelo chefe do Centro de Defesa Cibernética, general José Carlos dos Santos.


De acordo com o general, o controle feito pelo Exército é legal. Esse monitoramento é necessário por abranger questões de segurança nacional, o que legitima e justifica essa ação. O militar disse que a parceria com a Polícia Federal também tem legitimidade até porque as Forças Armadas não agem na ponta - o que é função da polícia.


O centro está localizado no quartel-general do Exército, em Brasília. Da central de monitoração, Santos comandou um grupo de 50 militares responsáveis por identificar eventuais líderes das manifestações, pontos de potencial, conflito e organização de atos de vandalismo. Agentes e delegados da PF atuaram em conjunto com o Exército.


O software utilizado foi fabricado pela Dígitro, empresa de Florianópolis que vende a ferramenta a órgãos de segurança pública em geral, segundo o general. Agora, sabe-se que filtros produzidos pelo Exército, com identificação de eventuais líderes, proveram a ação dos policiais.

“A adaptação do software para esse tipo de monitoração depende do usuário. Ele foi customizado para esse evento”, disse o general.


Santos explicou que o monitoramento e a filtragem de dados das redes sociais pararam com o fim da Copa das Confederações. Segundo ele, em nenhum momento o Exército coletou dados que não fossem informações públicas, divulgadas nas redes sociais pelos ativistas.