Ex-repórter acusa jornalistas ocidentais de mentirem em reportagens sobre o Paquistão

Ex-repórter acusa jornalistas ocidentais de mentirem em reportagens sobre o Paquistão

Atualizado em 20/05/2008 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

A visão negativa que se criou das nações islâmicas - países violentos e dominados pelo terrorismo - é em parte criação de reportagens irresponsáveis da mídia internacional, de acordo com Shahjean Sayed, ex-repórter da emissora alemã Deutsche Welle.

Ele voltou a seu país, depois de uma década e meia na Alemanha, para comandar o departamento de jornalismo da Universidade de Peshawar, uma das maiores instituições públicas de ensino superior do Paquistão.

Segundo ele, a mídia internacional é pouco presente no Paquistão. Na maioria das vezes, as reportagens são feitas em países vizinhos, e jornalistas muitas vezes se consideram "experts" no país ao fazerem visitas de um ou dois dias.

Sayed afirma que há casos de jornalistas que, ao não conseguirem encontrar um verdadeiro líder talibã - que geralmente estão nas montanhas em que ficam localizadas as áreas tribais paquistanesas - usam personagens falsos para completar suas reportagens.

"Eles procuram alguns personagens que combinem com a percepção que têm desta área", diz o professor. Sayed conta que um aluno seu ganhou US$ 100 ao encontrar para jornalistas estrangeiros um homem comum cuja descrição se assemelhava à de um líder talibã. "As ovelhas negras do jornalismo existem em qualquer lugar", completa.

Para o ex-repórter, a imprensa do Paquistão é livre quando comparada a de outros países muçulmanos. Especialmente nos últimos meses, com as eleições e o governo de transição que se instalou no país, tanto a mídia impressa quanto a eletrônica têm tido espaço para atuar de forma relativamente livre.

"Ninguém pode dizer que, no sentido real da palavra, a imprensa do Paquistão é livre. Mas em comparação com países como Indonésia, Malásia, Irã, Arábia Saudita, o Paquistão tem uma mídia livre", diz.

Os jornalistas paquistaneses não são, em sua maioria, preparados para exercer a profissão - um problema enfrentado especialmente no interior do país, onde a atividade dos líderes talibãs é mais intensa e a renda é bem menor do que os US$ 500 mensais que um jornalista de um grande centro receberá em um veículo de médio ou grande porte.

Sayed diz que é necessário ter uma carteira profissional para ser jornalista, mas ela pode ser facilmente comprada no mercado negro. Por isso, além de ter os estudantes regulares, a Universidade de Peshawar promove cursos de formação para os jornalistas das áreas tribais do Paquistão, que não podem arcar com os custos de sua educação.

Os cursos de curta duração, feitos em parceria com ONGs européias e com órgãos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), já ofereceram treinamento cerca de 800 jornalistas do interior do país. As aulas incluem noções de ética, produção de texto, cobertura de desastres naturais e de temas políticos.

As informações são do site G1

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