Ex-reféns das Farc pedem que rádio não transmita entrevista feita sob "ameaça"
Ex-reféns das Farc pedem que rádio não transmita entrevista feita sob "ameaça"
Os quatro reféns libertados, no último domingo (1), pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) pediram à Rádio França Internacional (RFI), que não transmitam a reportagem que contém uma entrevista concedida por eles quando ainda estavam seqüestrados e sob ameaça de morte.
Em carta enviada ao presidente da RFI, Antoine Schwarz,e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o grupo de ex-reféns, formado por três policias e um soldado, diz que as entrevistas foram feitas sobre ameaça de morte e de permanência no cativeiro. Eles acrescentaram, ainda, que o correspondente da RFI na Colômbia, Hollman Morris.
"Momentos antes que nos foi devolvida a liberdade após passar vários anos sequestrados pelo grupo 'narcoterrorista' das Farc, fomos obrigados por nossos sequestradores a darmos uma entrevista a um repórter da RFI manifestando estritamente o que os guerrilheiros queriam que lhe disséssemos", diz trecho da carta dos ex-reféns.
A agência de notícias EFE lembra que o jornalista esteve envolvido em polêmica por estar presente durante a entrega por parte das Farc dos sequestrados a uma missão humanitária em um local não revelado das selvas do sul da Colômbia.
Os ex-reféns Walter José Lozano Guarnizo, Juan Fernando Galícia Uribe, Alexis Torres Zapata (policias) e o militar William Giovanni Domínguez Castro pediram à CIDH, por uma das cartas, proteção aos seus direitos "à integridade pessoal e à honra e dignidade humana, consagrados na Convenção Americana de Direitos Humanos". Eles lembraram, ainda, que o próprio correspondente é protegido pela convenção.
Para o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o correspondente usou da sua condição de jornalista "para ser permissivo cúmplice do terrorismo" e "descumpriu seus deveres como pessoa protegida pela CIDH".
"O Governo da Colômbia lhe deu toda a proteção, e ele descumpriu os deveres. Nós estamos obrigados pela CIDH a proteger o jornalista Morris, como protegemos a tantos colombianos", acrescentou o presidente.
Holliman Morris disse à agência de notícias EFE que, na última segunda-feira (2) foi detido por sete horas pelo Exército e pela Polícia da Colômbia, que, segundo ele, tentaram confiscar o material gravado no local onde foram libertados os ex-reféns.
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