Ex-presidente da Comissão de Comunicação dos EUA vê avanço na AL como inevitável
Ex-presidente da Comissão de Comunicação dos EUA vê avanço na AL como inevitável
Michael Powell, ex-presidente da Federal Communications Comission - a agência máxima reguladora das comunicações nos Estados Unidos, diretamente subordinada ao Congresso norte-americano - afirmou, nessa manhã (dia 16), que embora respeite a legislação que prevê reservas de mercado no setor de comunicação na América Latina, acredita ser inevitável o avanço das grandes companhias de mídia na produção, distribuição e participação acionária na região latino-americana.
Segundo Powell, "a idéia de que os países consumam todos os mesmos produtos de comunicação não me parece muito boa", avalia. Powell, no entanto, entende que é impossível controlar o fluxo de produção dos países hegemônicos sobre os países em desenvolvimento. "As leis locais de proteção do mercado [como o limite de investimento de até 30% do capital estrangeiro nas empresas de jornalismo e radiodifusão brasileiras] é mais simbólico que de fato", avalia. Para explicar, afirma que os conteúdos hoje são muito fluidos e que a digitalização não permite que se impeça a entrada e consumo dos produtos estrangeiros, apesar dos dispositivos jurídicos que têm, inclusive, o objetivo de proteger as culturas locais. "Ou os países entram no trem, ou vão perder as oportunidades", alerta, afirmando que a demanda para a abertura se dará por meio dos próprios consumidores. "A pressão vai ser cada vez maior, não por parte dos outros países, mas dos consumidores", prevê.
Digitalização e Pirataria
Michael Powell falou a jornalistas em evento promovido pelo HBO Latin America Group , em Sunrise, na Flórida, onde se discute os processos de digitalização da distribuição de conteúdos por televisão pela companhia na América Latina. Uma das preocupações centrais apontadas pelos executivos e consultores da HBO tem sido a pirataria, presente de forma muito expressiva em praticamente todos os países latino-americanos. A expectativa da companhia é que as novas tecnologias e o barateamento da oferta possam reduzir esse cenário.
Os dados apontam que a diferença entre os espectadores que assistem a televisão paga na América Latina e os que efetivamente pagam pelo serviço é de 25 milhões de domicílios para 17 milhões, ou seja, cerca de 8 milhões representam um consumo ilegal. No caso dos pacotes e programação premium, os números são mais surpreendentes: a relação é de 5:1 dos espectadores, ou seja, apenas 20% dos consumidores pagam pela programação de filmes e canais dos pacotes avançados. A demanda reprimida nos mercados latino-americanos se concentra, basicamente, nas classes B e, em especial, na C e os esforços de venda devem ser focados nesses grupos, de modo a atingir o share de 31% desses grupos sócio-econômicos nos próximos cinco anos. A previsão é que o mercado de TV Paga atinja todos os lares da AL até 2015, representando um volume de US$ 14,3 bi.
Segundo Emílio Rubio, presidente de produção e novos negócios da HBO LA, é possível pensar no continente como um todo porque "as diferenças entre os consumidores nas suas fronteiras praticamente não existem mais". Rubio acrescenta, no entanto, que em países como Brasil e México, onde a TV aberta tem alto índice de aceitação do público geral, o parâmetro de programação deva ser diferenciado, valorizando produções e talentos locais, ao inseri-los na grade juntos de programas estrangeiros. No Brasil, a HBO exibiu, por exemplo, as séries "Mandrake" e "Filhos do Carnaval", com atores e produção nacionais.
* Rodrigo Manzano viajou à convite da HBO Latin America Group






