Ex-diretor da Abin, deputado federal eleito processa jornalistas criminalmente

Os jornalistas Fabio Leite e Guilherme Amado, hoje no portal Metrópoles, foram processados criminalmente por calúnia e difamação pelo ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro Alexandre Ramagem.

Atualizado em 14/10/2022 às 10:10, por Redação Portal IMPRENSA.


O motivo foram reportagens publicadas na revista Época, no jornal O Globo, no site Antagonista e na revista Crusoé entre 2020 e 2021, sobre a suposta atuação de Ramagem para que a Abin fornecesse informações que auxiliassem a defesa do senador Flávio Bolsonaro em investigações de desvio de salários de assessores, a chamada rachadinha. Crédito:Agência Senado/Marcos Oliveira Alexandre Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro A Justiça do Distrito Federal vai decidir se recebe ou rejeita a queixa-crime contra os jornalistas. Ramagem deixou a Abin em março último. Quando as reportagens foram publicadas, Flávio começava a ser investigado por suspeita de participação em esquema de emprego de funcionários-fantasma em seu gabinete, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.
A defesa de Guilherme Amado argumenta que as reportagens disseminaram informações e fatos relevantes, sem "qualquer análise subjetiva ou de juízo pessoal quanto aos fatos veiculados”.
Os advogados do colunista também afirmam que seu cliente confirmou a existência dos relatórios feitos pela Abin para a defesa do senador e que teve acesso ao material na íntegra, em primeira mão.
Patamar constrangedor

Entidades de defesa da liberdade de imprensa repudiaram o que chamaram de tentativa de criminalização do trabalho jornalístico e afronta às garantias fundamentais de liberdade de expressão e de imprensa resguardadas pelo ofício jornalístico.
Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional dos Jornalistas, afirmou que a ação "se enquadra na longa e assustadora lista de tentativas de intimidação da liberdade de imprensa no Brasil nos últimos anos". "Em democracias, a imprensa conta com um ambiente de liberdade plena para exercer seu imprescindível papel de vigilância dos poderes públicos, sem ameaças de natureza política, ideológica ou judiciais."
Por sua vez, a Abraji observou que "o assédio judicial contra jornalistas jogou o Brasil em um patamar constrangedor no ranking da liberdade de imprensa, tornando o exercício da profissão uma batalha constante contra acusações, sem provas, de que profissionais produzem, deliberadamente, 'narrativas inverídicas e levianas'.