Por No dia 31 de janeiro o jornalista Franz Vacek, correspondente internacional da Rede TV!, chegou ao Cairo, Egito. No aeroporto a situação já era conturbada. "Raras vezes vi algo igual. Multidões, pessoas preocupadas, famílias inteiras tentando deixar o Egito, gente chorando...", conta. O aeroporto era apenas o primeiro de muitos obstáculos que o jornalista encontraria no país.
Vacek conta à IMPRENSA como tem sido o trabalho no Egito. O país enfrenta, desde a última semana de janeiro, uma onda de protestos contra o regime do presidente Hosni Mubarak. Os manifestantes pedem a deposição do líder egípcio, que está há 30 anos no poder.
O brasileiro entrou no país como turista. "Entrar como jornalista é impossível. O governo não tem interesse de que os jornalistas cheguem ao país", diz. Os equipamentos denunciam facilmente a identidade dos profissionais de imprensa, mas apesar de possuir uma câmera profissional na bagagem, o jornalista conseguiu passar pela segurança do aeroporto. "Tive um golpe de sorte. Estava passando uma equipe de TV no aeroporto e eles foram parados na minha frente. Apreenderam todo o material e no meio disso consegui passar", explica. O próximo passo era chegar ao hotel, a 20 km do aeroporto. O táxi em que o jornalista estava foi parado 14 vezes no trajeto por militares, policiais e por civis. Em todas as paradas, conferência de documentos.
Ao chegar no hotel, mais um problema. Não havia internet. Vacek não tinha como se comunicar com a emissora no Brasil. "Ouvi um boato de que teria um provedor de internet funcionando em outro hotel próximo ao que eu estava. Desrespeitei o toque de recolher e fui mudar de hotel pra tentar gerar o material para o jornal. Fui abordado por um carro de civis ou policiais, não sei, com bastões e facas que me perguntaram porque eu estava ali se era toque de recolher. Falei que era turista". Conseguiu ter acesso a internet que funcionou por cerca de duas horas antes de cair por completo. O trabalho seguia dessa maneira.
No dia 2 de fevereiro, os conflitos de intensificaram. "A partir desse dia começou a ficar insustentável para jornalista". As câmeras que conseguiam passar os inúmeros bloqueios de segurança começaram a não ser bem vistas. "Um dia antes era fácil enxergar a presença dos jornalistas, mas as redações começaram a pedir para o pessoal voltar, ainda mais depois que soubemos que um fotografo foi baleado tirando foto da varanda do hotel. Passar informação começou a ser um risco. Comecei a ver cada vez menos jornalistas", conta.
O trabalho, já complicado nas ruas, passou a ser dificultado também dentro do hotel. Vacek conta que começou a receber comunicados diários sobre a atuação da imprensa nas dependências do hotel. Um deles dizia: "não filmar dentro do hotel sem permissão da gerência. Caso algo seja autorizado, não filmar identificação do hotel dentro ou fora./ não filmar ou entrevistar clientes ou funcionários". "Depois vem um parágrafo que diz que o hotel vem sendo informado pelo exército que essas medidas serão amenizadas, mas independentemente disso, qualquer violação será punida com a expulsão imediata do hotel para não colocar a segurança de todos em perigo", explica Vacek. "Nem no próprio hotel consigo trabalhar. Evito abrir as janelas da varanda para mostrar a praça porque se descobrirem que estou gerando imagens daqui vou ser expulso do hotel".
Hoje, com a internet restabelecida, o jornalista não sai mais com a câmera profissional. Acha arriscado. Utiliza uma filmadora de bolso e o celular. Vai para rua todos os dias fazer matérias, ignorando o toque de recolher e entra ao vivo na Rede TV! do seu quarto do hotel. Sempre com discrição, quesito atualmente mais do que necessário para realização do trabalho jornalístico. Por enquanto, as câmeras, gravadores e credenciais, por vezes facilitadores do trabalho do jornalista, não oferecem nenhum beneficio. Pelo contrário.
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Vacek conta à IMPRENSA como tem sido o trabalho no Egito. O país enfrenta, desde a última semana de janeiro, uma onda de protestos contra o regime do presidente Hosni Mubarak. Os manifestantes pedem a deposição do líder egípcio, que está há 30 anos no poder.
| Arquivo Pessoal |
| Franz Vacek |
Ao chegar no hotel, mais um problema. Não havia internet. Vacek não tinha como se comunicar com a emissora no Brasil. "Ouvi um boato de que teria um provedor de internet funcionando em outro hotel próximo ao que eu estava. Desrespeitei o toque de recolher e fui mudar de hotel pra tentar gerar o material para o jornal. Fui abordado por um carro de civis ou policiais, não sei, com bastões e facas que me perguntaram porque eu estava ali se era toque de recolher. Falei que era turista". Conseguiu ter acesso a internet que funcionou por cerca de duas horas antes de cair por completo. O trabalho seguia dessa maneira.
No dia 2 de fevereiro, os conflitos de intensificaram. "A partir desse dia começou a ficar insustentável para jornalista". As câmeras que conseguiam passar os inúmeros bloqueios de segurança começaram a não ser bem vistas. "Um dia antes era fácil enxergar a presença dos jornalistas, mas as redações começaram a pedir para o pessoal voltar, ainda mais depois que soubemos que um fotografo foi baleado tirando foto da varanda do hotel. Passar informação começou a ser um risco. Comecei a ver cada vez menos jornalistas", conta.
O trabalho, já complicado nas ruas, passou a ser dificultado também dentro do hotel. Vacek conta que começou a receber comunicados diários sobre a atuação da imprensa nas dependências do hotel. Um deles dizia: "não filmar dentro do hotel sem permissão da gerência. Caso algo seja autorizado, não filmar identificação do hotel dentro ou fora./ não filmar ou entrevistar clientes ou funcionários". "Depois vem um parágrafo que diz que o hotel vem sendo informado pelo exército que essas medidas serão amenizadas, mas independentemente disso, qualquer violação será punida com a expulsão imediata do hotel para não colocar a segurança de todos em perigo", explica Vacek. "Nem no próprio hotel consigo trabalhar. Evito abrir as janelas da varanda para mostrar a praça porque se descobrirem que estou gerando imagens daqui vou ser expulso do hotel".
Hoje, com a internet restabelecida, o jornalista não sai mais com a câmera profissional. Acha arriscado. Utiliza uma filmadora de bolso e o celular. Vai para rua todos os dias fazer matérias, ignorando o toque de recolher e entra ao vivo na Rede TV! do seu quarto do hotel. Sempre com discrição, quesito atualmente mais do que necessário para realização do trabalho jornalístico. Por enquanto, as câmeras, gravadores e credenciais, por vezes facilitadores do trabalho do jornalista, não oferecem nenhum beneficio. Pelo contrário.
| Reprodução |
| Comunicado enviado aos jornalistas hospedados no hotel |
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