EUA proibiu imprensa no espaço aéreo de Ferguson durante protestos, diz AP

Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiu explicações do governo.

Atualizado em 04/11/2014 às 19:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Em agosto, durante os protestos pela morte de um jovem negro na cidade de Ferguson, em Missouri, o governo dos EUA estabeleceu um bloqueio ao espaço aéreo da região, impedindo a circulação de aeronaves por 11 dias. Gravações divulgadas na última segunda-feira (3/11) mostram que o objetivo era barrar, especificamente, a cobertura da imprensa no caso.
Segundo a Associated Press, a ordem emitida pela Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) proibia qualquer tipo de aeronave, entre helicópteros e voos comerciais, de sobrevoar Ferguson. De acordo com a agência, a restrição foi emitida após um veículo aéreo da polícia ter sido alvejado por manifestantes.
Nas gravações obtidas pela AP, um dos diretores da FAA conversa ao telefone com alguém do Departamento de Polícia de Saint Louis, distrito vizinho de Ferguson. De acordo com a agência, o representante do órgão federal diz que "não importa se houver tráfego comercial nessa TFR [sigla em inglês para 'restrição temporária de voos'] o dia todo". "Eles só não querem a mídia lá", afirmou.
Depois disso, a diretriz foi modificada para permitir a livre circulação de todo tipo de voo, mas com restrições. Segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), os termos dessas restrições davam a entender que a imprensa continuava proibida de sobrevoar o local. Em nota, a FAA diz que "a mídia nunca foi banida da cobertura dos eventos em Ferguson".
"Já está provado que a polícia impediu seriamente o trabalho da imprensa no solo, tentando encobrir os eventos de Ferguson em agosto. Usar autoridades federais para fazer o mesmo nos céus representa uma grave violação da liberdade de imprensa", declarou Carlos Lauría, coordenador de programas da CPJ nas Américas. "As autoridades devem responder e explicar essas gravações e alegações", continuou.