Estudantes de comunicação da bahia participam de projeto interdisciplinar nacional / Por Abel de Oliveira - FTC (BA)
Estudantes de comunicação da bahia participam de projeto interdisciplinar nacional / Por Abel de Oliveira - FTC (BA)
Atualizado em 15/06/2005 às 12:06, por
Abel Dias de Oliveira e estudante de Jornalismo da Faculdade de Tecnologia e Ciências (BA).
Por Estudantes do curso de Jornalismo da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) de Itabuna e de Rádio e TV da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) estão participando do Projeto Interistitucional Coral Vivo, uma iniciativa do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, que visa recuperar recifes de corais degradados.
O projeto, que conta com recursos do Ministério do Meio Ambiente (FNMA), é uma iniciativa inédita no Brasil que tem como objetivos desenvolver pesquisas para gerar técnicas de recuperação de ambientes recifais degradados e programas de educação ambiental visando a conscientização do publico para a importância de conservar esses ecossistemas. Está implantado em vários municípios brasileiros, especialmente em Porto Seguro, onde mantém uma base no povoado de Arraial d´Ajuda, onde estão concentrados os trabalhos de comunicação e educação ambiental.
É exatamente nessa vertente - da educação ambiental com suporte comunicacional - que os futuros jornalistas e radialistas estão trabalhando. A equipe, formada pelos estudantes Abel Dias de Oliveira, Roberto Cotta, Kayo Kleberson e Pedro de Albuquerque Oliveira tem pela frente o desafio de desenvolver e executar estratégias capazes de modificar a relação homem-natureza naquele local, contribuindo para ajudar a preservar os corais e os recifes onde estes se reproduzem. A equipe é coordenada pela jornalista e professora Eliana Albuquerque, da FTC e UESC.
A parte técnica, de reprodução in vitro de corais, está a cargo de pesquisadores da UFRJ e UFPE. Já a parte de educação ambiental, cujo suporte principal são produtos comunicacionais, é responsabilidade da equipe local, o que representa um importante passo para a inserção dos dois cursos de comunicação da região sul da Bahia em projetos interdisciplinares nacionais.
O que são os recifes de coral?
O termo "recife" surgiu com a navegação para designar qualquer estrutura rígida, seja uma rocha, um banco de areia ou um recife de coral, próxima à superfície da água, que significava um perigo para as embarcações.
Atualmente, são conhecidos diversos tipos de recifes, dentre eles os recifes de coral. Os recifes de coral são constituídos por uma grande estrutura inorgânica (não viva) composta basicamente de carbonato de cálcio, produzido e secretado por corais.
Enquanto os recifes podem perdurar por milhares de anos, formando estruturas com metros e metros de altura, os corais ocupam uma fina camada superficial do recife. São animais com um ciclo de vida mais curto, mas que ao morrerem são substituídos por outros que continuarão o processo de construção do recife.
Importância dos Recifes de Coral
Os recifes de coral desempenham papel fundamental para a manutenção do equilíbrio de todos os demais ambientes marinhos. É o ecossistema marinho de maior biodiversidade, muitas vezes comparado às florestas tropicais úmidas, como a Amazônia. Os milhares de organismos que compõe essa alta diversidade recifal, representantes das mais variadas formas de vida, desde os protozoários até os grandes mamíferos, utilizam os recifes para diversos fins, seja para alimentação, reprodução, proteção ou moradia.
Além disso, os recifes de coral são reconhecidos como importantes locais para a pesca em muitas partes do mundo. Comunidades costeiras próximas à esses ambientes se alimentam em grande parte dos organismos recifais. Além dos peixes, também podem ser extraídos dos recifes lulas, polvos, ostras, lagostas, camarões, entre outros, servindo como fonte de alimento e gerando renda pela sua comercialização.
Outra utilidade dos corais para a vida é a extração de produtos químicos de interesse farmacêuticos. A alta diversidade dos recifes de coral tem grande potencial para extração de substâncias químicas de interesse farmacológico. Diversos organismos recifais (com ênfase nas esponjas) estão sendo pesquisados quanto à existência dessas substâncias, tendo sido algumas já comprovadas para a cura do câncer e da hipertensão.
Possui também grande importância econômica, ainda pouco conhecida, que é a presença de reservas de gás e petróleo associadas a esses ecossistemas, tornando os recifes um fonte em potencial desses produtos. Servem como barreira física para a ação das ondas, o que significa dizer que, sem esses ecossistemas, muitas regiões costeiras já teriam sido destruídas pela erosão marinha. Por fim, servem como forte atrativo turístico, por ser local de grande riqueza de espécies, ecossistemas que, em geral, ocorrem em águas quentes e claras.
Degradação dos recifes
Em muitas partes do mundo têm sido documentados eventos de degradação dos recifes de coral e as fontes de degradação são variadas. A poluição por esgoto doméstico e dejetos químicos, a sobrepesca (principalmente, com rede de espera), a extração direta de organismos recifais para a aquaricultura e produção de jóias, além de fenômenos globais, como o aquecimento da Terra, inclusive da água do mar. Todas esses distúrbios, a maioria causada pelo homem, ocasionam um desequilíbrio do ecossistema, formado por organismos que dependem de condições ambientais muito específicas.
Os corais, por exemplo, principal construtor dos recifes em muitas partes do mundo, apresentam uma temperatura ótima para seu desenvolvimento entre 25 e 28o C. Algumas espécies podem sofrer grande estresse (branqueamento) com a elevação de apenas um grau da temperatura ambiente. O aumento de nutrientes nos mares, proveniente dos esgotos sanitários, pode ocasionar a proliferação de algas, que crescem mais rápido do que os corais, ocupando o espaço que seria utilizado por este e podendo até matá-lo.
No Brasil, as principais fontes de degradação dos recifes são: a crescente urbanização das regiões costeiras, a poluição química (vinhoto), a extração de calcário para construção de moradias, o turismo desordenado, a sobrepesca, o desmatamento, e o aumento da sedimentação.
Capacidade de Recuperação
Apesar dos recifes serem estruturas que perduraram por milhares de anos no registro geológica da Terra, a capacidade de recuperação desses ecossistemas é baixa. A principal forma de recuperação dos recifes de coral depende do crescimento e da entrada de novos indivíduos de seus principais organismos construtores, os corais. No entanto, diversos estudos vêm demonstrando que os corais apresentam uma lenta taxa de crescimento e um baixo recrutamento.
No Brasil, a taxa de crescimento estimada para uma importante espécie de coral construtor (Siderastrea stellata) foi de apenas 5 mm/ano. Outros estudos também indicam que a capacidade de recuperação dos recifes degradados é menor do que a taxa observada nos recifes preservados. No Brasil, quando recifes degradados da região de Tamandaré (PE) foram analisados quanto à taxa de recrutamento de corais, principal processo de entrada de novos indivíduos (os recrutas), observou-se no máximo 52 recrutas/m2, taxa dez vezes menor do que a observada nos recifes preservados do Banco dos Abrolhos (BA), de até 500 recrutas/m2.
Até quando teremos recifes?
Os estudos indicam que, em alguns casos, os recifes não mais possuem a capacidade de se recuperar. Os mais alarmistas prevêem que em menos de 100 anos todos os recifes do mundo estarão num estágio avançado de degradação ou já terão desaparecido. Conhecendo-se a importância desses ecossistemas, diversas iniciativas têm sido desenvolvidas a fim de preservar e, algumas vezes, recuperar os recifes degradados.
É nesse sentido que surge o Projeto Coral Vivo que visa criar corais em cativeiro, reproduzi-los, gerando novos indivíduos, os recrutas, que serão utilizados para repovoar áreas recifais degradadas.
O projeto, que conta com recursos do Ministério do Meio Ambiente (FNMA), é uma iniciativa inédita no Brasil que tem como objetivos desenvolver pesquisas para gerar técnicas de recuperação de ambientes recifais degradados e programas de educação ambiental visando a conscientização do publico para a importância de conservar esses ecossistemas. Está implantado em vários municípios brasileiros, especialmente em Porto Seguro, onde mantém uma base no povoado de Arraial d´Ajuda, onde estão concentrados os trabalhos de comunicação e educação ambiental.
É exatamente nessa vertente - da educação ambiental com suporte comunicacional - que os futuros jornalistas e radialistas estão trabalhando. A equipe, formada pelos estudantes Abel Dias de Oliveira, Roberto Cotta, Kayo Kleberson e Pedro de Albuquerque Oliveira tem pela frente o desafio de desenvolver e executar estratégias capazes de modificar a relação homem-natureza naquele local, contribuindo para ajudar a preservar os corais e os recifes onde estes se reproduzem. A equipe é coordenada pela jornalista e professora Eliana Albuquerque, da FTC e UESC.
A parte técnica, de reprodução in vitro de corais, está a cargo de pesquisadores da UFRJ e UFPE. Já a parte de educação ambiental, cujo suporte principal são produtos comunicacionais, é responsabilidade da equipe local, o que representa um importante passo para a inserção dos dois cursos de comunicação da região sul da Bahia em projetos interdisciplinares nacionais.
O que são os recifes de coral?
O termo "recife" surgiu com a navegação para designar qualquer estrutura rígida, seja uma rocha, um banco de areia ou um recife de coral, próxima à superfície da água, que significava um perigo para as embarcações.
Atualmente, são conhecidos diversos tipos de recifes, dentre eles os recifes de coral. Os recifes de coral são constituídos por uma grande estrutura inorgânica (não viva) composta basicamente de carbonato de cálcio, produzido e secretado por corais.
Enquanto os recifes podem perdurar por milhares de anos, formando estruturas com metros e metros de altura, os corais ocupam uma fina camada superficial do recife. São animais com um ciclo de vida mais curto, mas que ao morrerem são substituídos por outros que continuarão o processo de construção do recife.
Importância dos Recifes de Coral
Os recifes de coral desempenham papel fundamental para a manutenção do equilíbrio de todos os demais ambientes marinhos. É o ecossistema marinho de maior biodiversidade, muitas vezes comparado às florestas tropicais úmidas, como a Amazônia. Os milhares de organismos que compõe essa alta diversidade recifal, representantes das mais variadas formas de vida, desde os protozoários até os grandes mamíferos, utilizam os recifes para diversos fins, seja para alimentação, reprodução, proteção ou moradia.
Além disso, os recifes de coral são reconhecidos como importantes locais para a pesca em muitas partes do mundo. Comunidades costeiras próximas à esses ambientes se alimentam em grande parte dos organismos recifais. Além dos peixes, também podem ser extraídos dos recifes lulas, polvos, ostras, lagostas, camarões, entre outros, servindo como fonte de alimento e gerando renda pela sua comercialização.
Outra utilidade dos corais para a vida é a extração de produtos químicos de interesse farmacêuticos. A alta diversidade dos recifes de coral tem grande potencial para extração de substâncias químicas de interesse farmacológico. Diversos organismos recifais (com ênfase nas esponjas) estão sendo pesquisados quanto à existência dessas substâncias, tendo sido algumas já comprovadas para a cura do câncer e da hipertensão.
Possui também grande importância econômica, ainda pouco conhecida, que é a presença de reservas de gás e petróleo associadas a esses ecossistemas, tornando os recifes um fonte em potencial desses produtos. Servem como barreira física para a ação das ondas, o que significa dizer que, sem esses ecossistemas, muitas regiões costeiras já teriam sido destruídas pela erosão marinha. Por fim, servem como forte atrativo turístico, por ser local de grande riqueza de espécies, ecossistemas que, em geral, ocorrem em águas quentes e claras.
Degradação dos recifes
Em muitas partes do mundo têm sido documentados eventos de degradação dos recifes de coral e as fontes de degradação são variadas. A poluição por esgoto doméstico e dejetos químicos, a sobrepesca (principalmente, com rede de espera), a extração direta de organismos recifais para a aquaricultura e produção de jóias, além de fenômenos globais, como o aquecimento da Terra, inclusive da água do mar. Todas esses distúrbios, a maioria causada pelo homem, ocasionam um desequilíbrio do ecossistema, formado por organismos que dependem de condições ambientais muito específicas.
Os corais, por exemplo, principal construtor dos recifes em muitas partes do mundo, apresentam uma temperatura ótima para seu desenvolvimento entre 25 e 28o C. Algumas espécies podem sofrer grande estresse (branqueamento) com a elevação de apenas um grau da temperatura ambiente. O aumento de nutrientes nos mares, proveniente dos esgotos sanitários, pode ocasionar a proliferação de algas, que crescem mais rápido do que os corais, ocupando o espaço que seria utilizado por este e podendo até matá-lo.
No Brasil, as principais fontes de degradação dos recifes são: a crescente urbanização das regiões costeiras, a poluição química (vinhoto), a extração de calcário para construção de moradias, o turismo desordenado, a sobrepesca, o desmatamento, e o aumento da sedimentação.
Capacidade de Recuperação
Apesar dos recifes serem estruturas que perduraram por milhares de anos no registro geológica da Terra, a capacidade de recuperação desses ecossistemas é baixa. A principal forma de recuperação dos recifes de coral depende do crescimento e da entrada de novos indivíduos de seus principais organismos construtores, os corais. No entanto, diversos estudos vêm demonstrando que os corais apresentam uma lenta taxa de crescimento e um baixo recrutamento.
No Brasil, a taxa de crescimento estimada para uma importante espécie de coral construtor (Siderastrea stellata) foi de apenas 5 mm/ano. Outros estudos também indicam que a capacidade de recuperação dos recifes degradados é menor do que a taxa observada nos recifes preservados. No Brasil, quando recifes degradados da região de Tamandaré (PE) foram analisados quanto à taxa de recrutamento de corais, principal processo de entrada de novos indivíduos (os recrutas), observou-se no máximo 52 recrutas/m2, taxa dez vezes menor do que a observada nos recifes preservados do Banco dos Abrolhos (BA), de até 500 recrutas/m2.
Até quando teremos recifes?
Os estudos indicam que, em alguns casos, os recifes não mais possuem a capacidade de se recuperar. Os mais alarmistas prevêem que em menos de 100 anos todos os recifes do mundo estarão num estágio avançado de degradação ou já terão desaparecido. Conhecendo-se a importância desses ecossistemas, diversas iniciativas têm sido desenvolvidas a fim de preservar e, algumas vezes, recuperar os recifes degradados.
É nesse sentido que surge o Projeto Coral Vivo que visa criar corais em cativeiro, reproduzi-los, gerando novos indivíduos, os recrutas, que serão utilizados para repovoar áreas recifais degradadas.






