Estagiário de Comunicação Sofre! - Ricardo Chacur

Estagiário de Comunicação Sofre! - Ricardo Chacur

Atualizado em 04/11/2004 às 13:11, por Ricardo Chacur,  Produtor de TV,  roteirista de quadrinhos e  co-autor da tira "Cabeças Caninas".

Por Nova pagina 1



No Brasil, os cursos de comunicação nas universidades e faculdades brasileiras foram desmembrados, na eterna busca da qualidade didática.

É inaceitável que um estudante de "Rádio e Televisão" tenha oportunidade de fazer estágio ganhando uma miséria nas emissoras de rádio. Estagiários de "Publicidade e Propaganda" são sempre convidados para trabalhar como panfleteiros. Os estagiários de "Relações Públicas" são procurados para vender móveis e eletrodomésticos. Um estagiário de "Cinema" é quase um office-boy de luxo, especializado na arte de servir cafezinho para atores estressados. O estagiário de "Jornalismo" trabalha mais nas máquinas copiadoras, que nos bastidores do jornal. E ainda existem empresas que têm coragem de contratar estagiários pagando um salário mínimo. Todo estudo e conhecimentos de um estudante de comunicação, não servirão para nada nesse mercado repleto de ilusões e falsas promessas, no qual, algumas empresas fazem uma lavagem cerebral usando uma linda frase: "Vocês têm chances de serem contratados!"

Caos e soluções

O curso de comunicação é muito caro no ensino privado, porque têm custos elevados. O ensino público de comunicação é ignorado pela incompetência e demagogia dos governantes.

Os sindicatos estão preocupados somente com os efetivados, que são os profissionais que podem contribuir todo mês.

Para conseguir um estágio, os estudantes de comunicação são reféns das empresas institucionais, que são ineficazes em garantir melhores salários e um mínimo de dignidade.

O mercado está tão caótico que parece um cartel da comunicação.

Uma saída para melhorar essa situação: é uma maior participação das Faculdades e Universidades, com o objetivo de exigirem empresas sérias, sólidas e propostas coerentes, no plano de estágio: garantindo que os estudantes de comunicação não caiam em arapucas de empresas com filosofia feudal.