Especial Código de Ética: Especialista em ética, colombiano Javier Dario Restrepo critica os assessores de imprensa

Especial Código de Ética: Especialista em ética, colombiano Javier Dario Restrepo critica os assessores de imprensa

Atualizado em 31/08/2007 às 17:08, por Pedro Venceslau e  enviado a Vitória (ES).

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Credenciais não faltam ao jornalista colombiano Javier Dario Restrepo para falar sobre ética: especialista em ética, ganhador do Prêmio Latino - americano de ética jornalística, ( outorgado pelo Centro Latino de Periodismo e Universidade Internacional da Flérica, em 1997), autor de vários livros sobre o tema e fundador da Comissão de Ética do Circulo de Jornalistas de Bogotá. No Congresso Extraordinário dos Jornalistas de Vitória, que aconteceu entre os dias 3 e 5 de agosto e remodelou o codigo de ética da FENAJ, Restrepo foi a grande estrela, apesar ser uma voz dissonante da platéia. Confira os melhores momentos da palestra e a da conversa de Restrepo com os jornalistas. A reportagem completa sobre o Congresso está na edição de setembro da revista IMPRENSA, que já está nas bancas.

Deve haver punição para quem não respeita o código de ética do jornalismo?

Quando fizemos um código de ética (na Colômbia), o Circulo de Jornalistas de Bogotá discutiu muito este assunto. Minha é opinião é que a ética não pode ser imposta com medidas de polícia. A natureza da ética é que ela é uma decisão pessoal. Devemos criar a cultura de debater dilemas éticos nas redações. Mais que conhecimento, ética é sensibilidade.A ética não deve ser uma lei. Porque as leis não podem existir sem ética, mas a ética pode existir sem leis.

"As leis não podem existir sem ética, mas a ética pode existir sem leis".

Assessoria de imprensa é jornalismo?

Minhas palavras podem parecer um pouco duras. Mas o jornalismo é essencialmente público. Somos jornalistas para toda a sociedade. A informação tem sua razão de ser. A sociedade, para ser livre, precisa conhecer a realidade. Há uma conexão muito estreita entre conhecimento jornalístico e liberdade. É a condição de liberdade que dá ao jornalismo toda a sua dignidade. O jornalista deve estar a serviço de toda a sociedade, não de uma parte. Quando o jornalista se coloca a serviço de uma empresa, recorta seu campo de ação e sua dignidade. Se torna um propagandista. E a propaganda, por sua própria natureza, é a visão parcial da realidade. Jornalismo é a visão integral de toda realidade. O jornalista se degrada quando deixa estar serviço de todos e se coloca a serviço de uma empresa, um governo, partido político ou religião.