Entrevista: O profeta das probabilidades

Entrevista: O profeta das probabilidades

Atualizado em 11/01/2006 às 19:01, por Pedro Venceslau.

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Marcos Coimbra é um profeta das probabilidades. Sua especialidade, e a de seu Instituto, o VoxPopuli, além de aferir posições, é ler os recados por trás dos números das pesquisas eleitorais. Carioca de nascimento e mineiro por vocação, Coimbra é o único representante de Minas na seleção de oráculos formada por Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, Mauro Paulino,do Datafolha, Fátima Pacheco Jordão, da FPJ e consultora do Grupo Estado, e Bolívar Lamounier, do Instituto de Estudos Econômicos e Sociais de São Paulo.

Em 1989, Coimbra também ficou conhecido como um exímio estrategista político. Na ocasião, ele foi um dos pensadores por trás da campanha vitoriosa do irmão de sua madrasta, o então desconhecido Fernando Collor de Melo, para presidente.

A parceria terminou na hora certa: "Eu não participei do governo Collor. Vi de fora sua decadência", conta.

Depois da experiência de ajudar a eleger um presidente que deixou o poder pela porta dos fundos, Coimbra nunca mais voltou a participar organicamente de nenhuma eleição. Em 2006, porém, ele estará mais em evidência que nunca. Mais uma vez na condição de oráculo. As pesquisas de intenção de voto deixaram de ser apenas uma boa e eficiente ferramenta dos candidatos e seus marqueteiros e se tornaram combustível das coberturas em tempos de disputa política. Tanto que a Justiça Eleitoral foi obrigada a regulamentar o uso dos dados de pesquisa e criar parâmetros para que a decisão individual de cada um dos eleitores não seja totalmente influenciada pela onda coletiva e pelo sobe-e-desce que marca a maré das intenções de voto.

Marcos Coimbra nasceu em 1950, no Rio de Janeiro, mas deixou cidade aos dois anos para viver perambulando de embaixada em embaixada ao lado pai, o embaixador Marcos Coimbra. Só voltou ao Brasil aos 18 anos, depois de viver em Portugal, Itália, Havana, Paraguai e Romênia. Por aqui, ficou pouco tempo. Depois de terminar o curso de Sociologia da Universidade de Brasília, foi para Manchester, na Inglaterra, onde fez mestrado. Do pai, herdou, além do homônimo, o gosto pela política e a elegância, sua marca registrada.

Marcos Coimbra conversou com IMPRENSA faltando pouco menos de um ano para a próxima grande eleição brasileira - em que serão escolhidos o novo presidente, senadores, deputados federais e estaduais e governadores. De certa forma, a crise tem adiantado a disputa eleitoral e Coimbra aproveita o momento para desenhar as perspectivas que se esperam no horizonte político para 2006. Quem lida bem com o vasto material das pesquisas, torna-se uma espécie de pequeno "deus" no mundo dos votos.

IMPRENSA - É compatível um instituto atender ao mesmo tempo um partido político e um órgão de imprensa?

MARCOS COIMBRA - Essa discussão existe e é legítima. Não existe solução para esse dilema. Em alguns países, como é o caso do Brasil, não se estabelece nenhuma restrição, nem jurídica e nem prática. Em outros países, há esse tipo de diferenciação e procura-se fazer uma separação. Eu, pessoalmente, não vejo nenhuma inconveniência. Especialmente quando considero o tipo de legislação que temos hoje sobre divulgação de pesquisa. Ela é uma legislação muito restritiva, que leva a um nível de transparência muito grande.

IMPRENSA - Não há conflito de interesses?

COIMBRA - Não vejo. Há alguns políticos que reclamam. Nos Estados Unidos, por exemplo, quase todos os profissionais de pesquisa que trabalham em campanhas são muito claramente identifi cados com determinados partidos.

Leia a matéria completa na edição 209 (janeiro-fevereiro) de Imprensa