Entrevista: Hewaldo Trevisan

Entrevista: Hewaldo Trevisan

Atualizado em 11/03/2009 às 02:03, por Redação revista IMPRENSA.

Revista IMPRENSA - Como o senhor vê a possibilidade de a igreja católica utilizar-se de diversas mídias hoje em dia?

Hewaldo Trevisan -
A grande abertura foi a pedido do papa João Paulo II, que tinha uma grande aceitação em relação à comunicação e o mundo moderno. Foram vários documentos incentivando os meios de comunicação. O papa foi o primeiro a escrever uma encíclica na internet. Mas acredito que precisamos melhorar muito nessa área.

IMPRENSA - A Igreja católica demorou para despertar para isso?

Trevisan - A igreja católica sempre foi muito pioneira, na musica, rádio, televisão e outros. Foi tímida em alguns aspectos, por prudência talvez, para hoje fazer algo sério e não estar na mídia por estar.

IMPRENSA - Prudência não seria medo de transformar a mensagem num produto?

Trevisan - Acho que isso é um respeito em relação aos ouvintes: devemos divulgar uma mensagem transformadora e prudente, algo que seja muito bem pensado. Nosso papel na televisão é acrescentar algo para a sociedade em que vivemos. É preferível não ir à TV caso não tenhamos algo a acrescentar. Eu acho que essa é a grande função, anunciar Jesus não é anunciar doutrina, mas a proposta de Jesus é uma proposta humanista, mostrar ao ser humano, o projeto e o plano para qual o Deus criou.

IMPRENSA -E o conteúdo?

Trevisan - Sou da opinião que sempre, em muitas coisas, precisamos crescer continuamente, precisamos evoluir. Estamos num processo de crescimento: hoje a igreja fala mais a linguagem do povo, está mais próxima, a música, por exemplo, é um instrumento muito valioso, mas tudo isso deve ser muito bem usado. Faço isso a partir de mim mesmo, observo minha pregação de muitos anos atrás e tento aperfeiçoar a cada dia o dom que Deus me deu.

IMPRENSA - A tendência qual é?

Trevisan - Sou aluno de um grande professor, o padre Zezinho, foi pioneiro de todo esse trabalho musical que hoje estamos colhendo frutos, mas eu me lembro também que quando lancei o primeiro CD a diferença em relação a hoje era que a abertura que temos na mídia em geral era menor.

IMPRENSA - As pessoas separam o produto da mensagem religiosa?

Trevisan - A mensagem não é comercial, mas nós vendemos produtos que levam a mensagem e precisamos fazer marketing disso. Temos um excelente produto que é a mensagem do evangelho e ela precisa chegar por meio do projeto de marketing, ela pode submeter-se ao capitalismo, mas precisa ser vendida e passada adiante. A linguagem do marketing esta bem adequada à religiosa.

É bom separar o que é vendável. Essa compra não precisa ser necessariamente no dinheiro, até porque, hoje, não se faz televisão e música sem recursos.

Existe uma preocupação e isso tem crescido, de profissionais competentes para dar opções e um bom conteúdo editorial para os ouvintes e telespectadores. Existe uma preocupação não só com a doutrina, mas com a qualidade dos programas e das canções. O povo merece o melhor.