Entidades de imprensa repercutem morte de cinegrafista e cobram mais segurança
Após a confirmação da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido por um rojão durante os protestos no Rio de Janeiro na últim
a quinta-feira (6/2), órgãos de apoio e proteção aos jornalistas se manifestaram nesta segunda (10/2).
Crédito:Reprodução Entidades pedem mais segurança à imprensa em manifestações
Na última sexta (7/2), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se manifestou sobre o caso, em nota oficial, antes da confirmação da morte cerebral do profissional da Band. Lembrando outros casos de violência contra jornalistas, a entidade cobrou do poder público uma postura mais contundente sobre o assunto. "É preciso dar uma basta à esta crescente violência contra jornalista porque ela ameaça o livre exercício profissional, compromete o estado de direito e constrange o país frente a uma sociedade internacional que precisa ver uma reação do estado e da sociedade brasileira", diz o texto.
O Senado Federal publicou um comunicado de integrantes do Conselho de Comunicação Social do Congresso. "A notícia da morte cerebral do cinegrafista chegou justamente quando a comissão temática que trata da liberdade de expressão discutia casos de violência contra profissionais da imprensa", diz a publicação, afirmando ainda que os conselheiros estão discutindo um relatório preliminar relativo a três projetos de lei que tratam da obrigatoriedade de fornecimento de itens de segurança para jornalistas, como capacetes e coletes à prova de bala.
Paula Máiran, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, esteve na porta do hospital Souza Aguiar na tarde desta segunda (10/2) para prestar solidariedade à família do cinegrafista, segundo o portal Terra. "Infelizmente isso é uma tragédia e é um atentado contra a liberdade de imprensa", disse afirmando que já passam de 50 o número de jornalistas agredidos desde junho do ano passado apenas na cidade do Rio durante protestos.
Paula criticou também o Estado, por ser responsável pela segurança pública. "Não é pra ninguém sair por aí atirando bomba, nem a polícia, nem manifestantes", afirmou. A sindicalista disse que já fez um relatório para a Organização dos Estados Americanos (OEA) e convocou órgãos ligados aos Direitos Humanos na sede do sindicato. "Jornalista bom é jornalista vivo", concluiu.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também publicou uma nota oficial, cobrando também as autoridades públicas e seu papel de garantir a integridade física dos profissionais de imprensa do Brasil. "O assassinato de um jornalista como Andrade impõe grave prejuízo ao conjunto da sociedade, que tem violado seu direito fundamental de acesso à informação. A Abert espera das autoridades rigorosa apuração deste crime para que se evitem novos atentados contra a liberdade de expressão e a democracia", diz o texto.
Já a presidente Dilma Rousseff usou seu perfil no Twitter para se posicionar. "Não é admissível que os protestos democráticos sejam desvirtuados por quem não tem respeito por vidas humanas. Determinei à PF que apoie, no que for necessário, as investigações para a aplicação da punição cabível", postou.
Entidades falam à IMPRENSA
Marina Atoji, gerente executiva da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) declarou à IMPRENSA: "lamentamos muito que tenha chegado a esse ponto, de ocorrer a primeira morte de um jornalista durante manifestações". Em comunicado oficial, a associação relembra que foram registrados 117 casos de agressão, hostilidade ou detenção de jornalistas desde que a onda de protestos começou no ano passado.
"É o primeiro caso fatal envolvendo jornalistas atacados durante os protestos de rua, mas os incidentes têm se multiplicado. [...] A violência sistemática contra profissionais da imprensa constitui atentado à liberdade de expressão. É preciso que o Estado (Executivo e Judiciário) identifique, julgue e puna os responsáveis pelos ataques", diz o texto oficial da Abraji.
Fichel Davit Chargel, presidente da Associação Brasileira da Imprensa (ABI), também falou sobre o assunto, chamando atenção para o perigo que os profissionais enfrentam cada vez mais. "O jornalista sai às ruas para fazer uma cobertura e não volta para casa. A preocupação é a falta de segurança que o jornalista tem em sua atuação. Não é só esse caso, mas esse foi o mais violento que culminou com a morte – a primeira durante manifestações."
Sindicato paulista também se manifesta
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo também manifestou solidariedade à família e amigos do colega de profissão carioca. À IMPRENSA, o presidente José Augusto Camargo cobra a responsabilidade da TV Bandeirantes. "Ele estava trabalhando e isso configura morte por acidente de trabalho. Há de se cobrar a responsabilidade da empresa, como se cobra em qualquer empresa em qualquer caso desse", diz.
O presidente da associação paulista lembra ainda o caso de Gelson Domingos, outro cinegrafista da Band que também foi morto em 2011 no Rio de Janeiro, vítima de um disparo de fuzil enquanto cobria uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) contra o tráfico de drogas. "Sabendo que existe um alto risco no Rio por conta de operações da polícia, o que a Band faz para prevenir isso? É o segundo caso de cinegrafista da Band morto em pouco tempo. A empresa também tem de ser cobrada".
"Uma cobertura de um protesto em espaço público não devia ser uma cobertura de risco, mas está se tornando. O jornalista fica num fogo cruzado, ora vítima de violência dos manifestantes, ora das forças do Estado. Essa situação é absurda na democracia brasileira", conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





