O remédio é um bloqueador hormonal sintético desenvolvido na China, que vinha sendo testado contra o câncer de próstata. Ele nunca foi usado em escala comercial e ainda não tem eficácia comprovada contra nenhuma doença.
O estudo foi patrocinado pela empresa e vinha sendo objeto de reportagens da colunista Malu Gaspar desde abril de 2021. As reportagens classificavam o remédio como "nova cloroquina de Bolsonaro" e mostraram que o Ministério Público Federal iria iniciar uma investigação sobre irregularidades cometidas durante o estudo.
O diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, classificou a decisão da Justiça do Amazonas como "lamentável caso de censura, em completo desacordo com o que determina a Constituição".
"A ANJ condena com veemência esta e outras seguidas decisões de censura à imprensa por parte do Poder Judiciário, a quem cabe exatamente zelar pelo cumprimento das leis. O que se espera é que o próprio Judiciário, em outra instância, reestabeleça a livre atividade jornalística. A censura ao Globo violenta o direito dos cidadãos de terem acesso a informações de seu interesse”, disse Pedreira.
Liminar, a decisão de censurar o jornal foi tomada em 15 de outubro, pelo juiz Manuel Amaro de Lima, da 3ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus. Em outra decisão, o mesmo juiz já havia determinado a retirada do site do jornal de três textos sobre a experiência com o medicamento.
O mesmo juiz também censurou o Portal do Holanda, do jornalista Raimundo Holanda, de Manaus, por repercutir as reportagens de Malu Gaspar. Neste caso, a censura foi confirmada por um desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, o que levou os advogados de Holanda a encaminharem o caso ao STF, onde ele está sendo analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski. Crédito:Reprodução Portal Amazônia
Justiça proibiu jornal O Globo de citar Samel em reportagens sobre estudo clinico de remédio para tratamento de covid O juiz de Manaus também ordenou que o Globo publicasse uma resposta da Samel, além de estipular multa. O jornal irá recorrer da decisão.
Em nota, a Abraji afirmou que "vê com preocupação as decisões da Justiça do Amazonas contra dois veículos que se propuseram a cumprir seu papel de informar e jogar luz sobre questões de interesse público relacionadas à ética médica e científica".
A entidade também afirmou que a proibição prévia de publicação de conteúdos é inconstitucional e que a decisão do juiz de Manaus prejudica o direito à informação de todos os cidadãos.
Intercept também sofreu censura
Publicada pelo Intercept em novembro do ano passado, uma reportagem sobre o candidato derrotado à prefeitura de Manaus, Ricardo Nicolau, que é um dos herdeiros do grupo Sambel, também foi censurada, neste caso pela Justiça Eleitoral amazonense.
A matéria contava como o candidato, que não é médico, aproveitou o acesso ao hospital municipal de campanha de Manaus para gravar imagens vestido de branco e visitando leitos de pacientes como se fosse um médico.
O candidato reclamou que a matéria promoveu “racismo intelectual” ao informar que ele não tem ensino superior completo. Em sua campanha, o candidato teria exibido depoimentos de pacientes agradecendo ao “doutor Nicolau” pela cura da covid-19, levando o eleitor a crer que ele é medico.
A reportagem censurada também mostrava que parte das ações judiciais movidas pelos adversários de Nicolau caíram no gabinete da juíza eleitoral Margareth Rose Cruz Hoaegen, considerada amiga da família do candidato.


