Empresas britânicas de relações públicas prestaram serviços a ditaduras, afirma jornal

Empresas britânicas de relações públicas prestaram serviços a ditaduras, afirma jornal

Atualizado em 04/08/2010 às 14:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Um levantamento encabeçado pelo jornal The Guardian mostrou que empresas britânicas de relações públicas prestam assistência a regimes conhecidos por descumprir direitos humanos como Arábia Saudita, Ruanda, Cazaquistão e Sri Lanka.

De acordo com o diário britânico, as empresas cobram até dois milhões de libras para assessorar e trabalhar a imagem de governos condenados por organismos internacionais - como a Organização das Nações Unidas (ONU) - pelo desrespeito aos direitos humanos.
Um dos clientes destas empresas de relações públicas é Omar Bashir, presidente do Sudão, acusado pelo Tribunal Penal Internacional por suspeita de crimes contra a humanidade durante o genocídio de Darfur. Ele teria contratado à época duas empresas com sede em Londres em uma tentativa de amenizar as polêmicas ligadas a sua imagem.

Só no Reino Unido, segundo dados da Associação de Consultores de Relações Públicas, os serviços aos governos reprováveis movimenta sete bilhões de libras.

"Os Governos autocráticos entenderam a necessidade de serem mais sofisticados em suas formas de atuação. Há uma demanda crescente (desse tipo de serviços) nos países do antigo bloco comunista e na China", afirma Francis Ingham, executivo-chefe da associação.

Ainda segundo o The Guardian, alguns contratos das empresas de relações públicas podem violar o código de conduta do próprio mercado, criado pela associação, e que exige que os clientes das companhias sejam advertidos a respeito de práticas reprováveis e que ainda se neguem a prestar serviços em caso explícito de violação dos direitos humanos.

O chefe de imprensa de Tony Blair

A Portland PR, dirigida por Tim Allen, chefe de imprensa adjunto do ex-primeiro ministro do Reino Unido, Tony Blair, participou de uma disputa por um contrato de 1,2 milhões de euros por ano para assessorar o Governo do Casaquistão, que responde acusação da Anistia Internacional por descumprir compromissos com os direitos humanos.

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