Em painel do Fórum Liberdade de Imprensa, jornalista afirma que "o maior inimigo do jornalismo é o despreparo"
Em painel do Fórum Liberdade de Imprensa, jornalista afirma que "o maior inimigo do jornalismo é o despreparo"
O segundo painel do Fórum Liberdade de Imprensa, realizado nesta terça-feira (6), por conta do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, 3 de maio, contou com a presença dos jornalistas Heródoto Barbeiro, da TV Cultura e da CBN, Márcio Chaer, publisher do site Consultor Jurídico, e teve intermediação de Igor Fuser, professor da Faculdade Cásper Líbero.
"A imprensa como mediadora: o acesso às fontes", tinha como tema central a discussão da oferta de informações e a maneira como elas trafegam na sociedade, mediadas pelo jornalismo e pelos jornalistas. Chaer iniciou o debate enfatizando que, apesar de muitos discutirem teorias do jornalismo, nas redações os problemas são de outra ordem.
Para ele,"o maior inimigo é o despreparo, a incapacidade de muitos jornalistas entenderem os fatos que estão relatando. Quando vão escrever uma matéria, os jornalistas tiram as nuances e complexidades, para simplificar os fatos aos leitores, que acabam achando que o mundo só tem mocinhos e bandidos", explicou Chaer.
Ele deu alguns exemplos, como um texto de uma revista desta semana, em que o jornalista trata a sigla HNI (homem não identificado) como se fosse substantivo próprio e nome de um personagem da reportagem.
"Isso retrata a nossa precariedade, nossa dificuldade em entender os fatos. como podemos julgar quem é inimigo da sociedade se não entendemos nem o que é HNI?", disse o jornalista, que ainda citou outros exemplos, como dizer que há um presidente do Congresso, que no Brasil se mede renda per capita, ou chamar Antártica de Antártida. "Parece idiossincrasia, mas é nos detalhes que a gente percebe quem sabe do que está falando", afirmou o jornalista.
Heródoto Barbeiro, que também participou do debate, exemplificou a necessidade do acesso às fontes com o caso de Miamar: "ditadura desde 1962, a gente só teve a idéia do que aconteceu lá porque houve protestos para a democracia. O acesso à fonte e a veiculação de notícias estão intimamente ligados à cobertura das Olimpíadas de Pequim". O jornalista também lembrou a situação do Afeganistão, em que o acesso à internet custa R$ 22 mil por mês, como forma de coibir os cidadãos.
Ele afirmou que existem duas situações na profissão: uma quando o jornalista vai atrás das fontes - algo que acontece todo dia e produz uma jornalismo de reflexão, rico em conflitos, divergente e aberto a discutir idéias. A segunda situação é quando as fontes vão atrás do jornalista, principalmente quando têm alguma notícia para divulgar, como as assessorias de imprensa.
"o jornalista tem que estar diretamente associado às assessorias de maneira geral.No momento que você é assessor, perde a isenção, não exerce o jornalismo. Então o repórter tem que avaliar qual notícia é importante para ele e quando ele deve ir atrás da informação", declarou Heródoto.
Para ele, a liberdade de expressão é um bem inegociável,"venha de onde vier e esteja onde estiver". Por exemplo, quando um jornal dinamarquês publicou charges do profeta Maomé. "Os muçulmanos se ofenderam, mas aquilo foi pautado, porque sabiam que ia provocar uma discussão", disse.
Sobre a isenção jornalística, Chaer afirmou que sempre haverá conflito de interesses. "É fácil falar de quem está longe, mas uma hora o jornalista vai julgar os interesses dele", disse. "As empresas jornalísticas têm outros outros negócios; algumas publicam lista telefônica, outras têm bancos, e até criação de gado. imagine se o dono de um jornal que cria gado vai dar uma notícia que vai desmoralizar o produto dele", refletiu Chaer.
Em relação ao conflito entre jornalista e assessor de imprensa, ele acredita que não há problema se a notícia atender ao primado do princípio público e for verdadeira. E que pagar para publicar verdade não é crime. No entanto, "o caso Isabella, por exemplo, a gente descobre pouco a pouco de onde veio as mentiras. Mas se é mentira, não importa de onde veio; só resta saber se é doloso ou culposo", explicou o jornalista.
Ele também é crítico à liberdade de expressão como valor absoluto:"Os ministros do Supremo Tribunal Feredal dizem que não há direito soberano na democracia. Ninguém tem liberdade de expressão para gritar "fogo" em um teatro lotado".
O fórum Liberdade de Imprensa e Democracia é realizado pela revista Imprensa, e tem o apoio institucional da Unesco, ABI, Fenaj, fundação Avina e Faculdade Cásper Líbero.






