Em livro, jornalistas mostram preparação do Brasil na Copa do Mundo de 50

Às véspera da segunda Copa do Mundo no Brasil, não há assunto mais importante que a organização do mundial. Em 2011, quatro estudantes de jornalismo — Beatriz Farrugia, da Ansa; Diego Salgado e Gustavo Zucchi, do Estadão , e Murilo Ximenes — observaram este cenário e resolveram pesquisar como foi a preparação do Brasil para o Mundial de 1950 durante o trabalho de conclusão de curso na faculdade.

Atualizado em 24/01/2014 às 17:01, por Vanessa Gonçalves.


Durante um semestre, visitaram as seis sedes do primeiro mundial em território nacional e, por ironia, perceberam que 64 anos depois o país volta a cometer erros antigos, como os atrasos nas entregas das obras nos estádios que serão palco do campeonato.
A obra, "1950: O Preço de uma Copa”, chega às livrarias no próximo sábado (25/1) com a missão de apresentar ao leitor-torcedor um novo olhar sobre o grande evento de futebol.
À IMPRENSA, Diego Salgado, repórter do Estadão e um dos autores, conta como foi o processo de pesquisa e como há semelhanças nos erros e acertos na construção da Copa de 2014.
Crédito:Divulgação Beatriz Farrugia, Diego Salgado, Gustavo Zucchi e Murilo Ximenes
IMPRENSA - Como surgiu a ideia desta abordagem diferente como relação à Copa? DIEGO SALGADO - Eu trabalhava do e desde 2009 acompanhava a preparação da Copa do Mundo e fiquei pensando: é a segunda Copa que o Brasil vai organizar e, por que, não podemos abordar o que acontecia 64 anos atrás? Era um evento bem menor e isso até facilitou pra gente. A ideia era enxergar 1950 como enxergamos 2014.

É logico que, até por conta do tipo de abordagem daquela época, a imprensa pouco falava da preparação e isso nos estimulou a correr atrás disso. Sendo assim, não encontrávamos num livro uma comunicação que tivesse todos esses dados juntos. Encontrávamos coisas separadas, principalmente no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Não tinha uma publicação que reunisse tanta informação acerca da Copa de 1950. Era um tema muito bom para explorar, ainda mais em 2014.
Como foi transformar um trabalho de conclusão de curso em livro? Como tínhamos um tempo escasso, eram apenas seis meses para fazer a produção inteira do livro, escrever e correr atrás de fonte, tivemos de fazer um trabalho de preparação, com um cronograma apertado e cada um escreveu um pouco do livro.

Lógico que há muita diferença de um trabalho de um livro editado e pronto para ir direto para a prateleira [das livrarias]. A editora Letras do Brasil teve um trabalho importante nesta parte, que foi editar este texto e tornar ele um pouco menos acadêmico. Isso aconteceu de uma forma tranquila. O trabalho de conclusão de curso foi apresentado em 2011, então tivemos dois anos inteiros para preparar o livro.
Crédito:Divulgação Livro conta preparação do país na Copa de 50
Quais as semelhanças e diferenças na "construção" das duas Copas? Há muitas semelhanças e diferenças na preparação. Primeiramente, falando das semelhanças: a influência política em 2014 e 1950. Isso aconteceu muito em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Além disso, os atrasos [nas obras] aconteceram em 1950, principalmente no estádio do Maracanã. Nos outros estádios nem tanto, porque passaram por reformas simples, não tão complexas como as de 2014.

De diferente, notamos que a imprensa falava pouco da preparação para a Copa do Mundo em 1950. As informações só começaram a ser veiculadas com mais intensidade nos primeiros meses daquele ano e, mesmo assim, de uma forma bem superficial. Para ter uma ideia disso, a tabela de jogos daquele mundial só foi elaborada em maio de 50, faltando 30 dias para a Copa.

Como havia poucas notícias sobre isso, tivemos que visitar todas as cidades-sedes daquele mundial e pesquisar nos jornais locais, nos acervos, museus e nos clubes de futebol, cujos estádios foram usados na competição. Nesses museus conseguimos as informações que precisávamos. Se dependêssemos apenas dos jornais, não teríamos esses dados, até porque o futebol ainda tinha pouco espaço no noticiário.
O que o leitor deve esperar do livro? Críticas sobre o grande evento no Brasil ou apenas um retrato dessa preparação para o mundial? Há uma crítica, porque falamos um pouco da Copa de 2014, não dos gastos, porque eles mudam muito, mas uma crítica dessa influência política do Maracanã, explicamos isso nos capítulos sobre o Rio de Janeiro e Porto Alegre. Mas o leitor também vai encontrar histórias de pessoas que se dedicaram à preparação da Copa do Mundo [de 50] e tiveram suas vidas mudadas por conta disso. Há muitas histórias. O livro responde ao leitor a proposta inicial: quanto custou a Copa do Mundo.
Vocês provavelmente gostam de futebol. Como foi olhar a Copa com outro olhar?

O livro é dividido em capítulos, cada sede tem um, e fizemos um apenas falando de futebol, porque não poderíamos fazer um livro sobre a Copa de 50 sem falar do que aconteceu [a derrota para o Uruguai na final]. Falamos de praticamente de todos os jogos, explicamos como o Brasil perdeu o mundial e, mais, falamos de toda a preparação da seleção para o torneio, desde o sul-americano de 1949, quando o Brasil venceu o Paraguai por 7 x 0 na final. Mas, o foco, realmente, é a preparação do país para o Mundial.


Qual a expectativa para o lançamento do livro? Esperamos que o livro possa fazer com que o torcedor olhe Copa de 2014 de uma maneira diferente, mas que, diante disso, ele possa fazer uma cobrança maior com relação aos gastos.

SERVIÇO:
"1950: O Preço de uma Copa” , de Beatriz Farrugia, Diego Salgado, e Gustavo Zucchi, e Murilo Ximenes
Data: 25/1
Horário: 15h
Local: Livraria Leitura - Shopping Golden
Endereço: Avenida Kennedy, 700 - São Bernardo do Campo (SP) - Piso 1 - Loja 115A