Em carta, Sindicato dos Jornalistas do Rio e FENAJ criticam donos de veículos de comunicação
Em carta, Sindicato dos Jornalistas do Rio e FENAJ criticam donos de veículos de comunicação
Em carta dirigida aos jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Fenaj criticaram nesta segunda-feira (02), os responsáveis pelos veículos de comunicação, acusando-os de expor a vida dos seus profissionais.
A atitude das entidades foi motivada pela tortura e seqüestro de uma equipe de reportagem do jornal O Dia, por integrantes de uma milícia em Realengo. "Para cumprir seu papel de informar, o jornalismo não pode ignorar que a vida é, de todos, o prêmio mais precioso", diz a carta.
O documento lembra que o Sindicato dos Jornalistas luta há cinco anos pela instalação de comissões de segurança nas redações, formadas por jornalistas, para fiscalizar medidas de proteção e avaliar riscos de cada cobertura. "Os patrões, de forma irresponsável, se recusam a dialogar, deixando à mercê da sorte a vida de dezenas de profissionais que denunciam o estado paralelo no Rio de Janeiro."
No comunicado, as organizações dizem que os profissionais do jornal O Dia merecem a solidariedade da população. "Agiram movidos pelo desejo de denunciar o nefasto fenômeno da substituição do narcotráfico por bandos opressores do próprio Estado".
Além disso, O Sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas protestam contra a decisão da empresa de expor seus trabalhadores a esse risco. "É inaceitável que a tragédia de Tim Lopes, da TV Globo, não tenha conscientizado as empresas de que nenhuma denúncia ou prêmio de Jornalismo vale uma vida", diz a nota.
Para as entidades, "o pior caminho para a imprensa será deixar que a tortura de Realengo atinja o objetivo dos torturadores: calar o jornalismo". No entanto, elas não consideram necessário manter repórteres por duas semanas em territórios controlados por assassinos profissionais. "A técnica de infiltração é própria de polícias com instrumentos de alta tecnologia, após treinamentos intensivos de meses ou até anos. Não é tarefa para jornalistas", reiteram.
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