Em briga de marido e mulher se mete a colher, defende TCC de jornalistas de Salvador

Levando em consideração que as Leis Maria da Penha e do Feminicídio foram introduzidas no Código Penal ainda neste século, um grupo de formandas de Salvador terminou o curso de jornalismo na Unijorge, em 2016, com um TCC sobre o impacto que essa nova legislação teve depois de entrar em vigor.

Atualizado em 15/06/2017 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Wynne Carvalho, Rubian Melo, Isa Clara Sena e Laisa Gabriela Sousa foram as autoras do projeto no formato de snowfall , uma grande reportagem multimídia. Crédito:Wynne Carvalho/Arquivo Pessoal O jornalista Yuri Silva que foi parte da banca, Wynne Carvalho, a jornalista Ceci Alves que também compôs a banca avaliadora, Rubian Melo, o jornalista e orientador da equipe Marcos Uzel, Isa Clara Sena e Laisa Gabriela Sousa.


“Nosso objetivo foi analisar se a aplicação dessas leis diminuiu os índices de violência contra a mulher em Salvador, tendo em vista que em 2016 elas completaram 10 anos e 1 ano de efetividade”, explica a recém-formada Wynne. A jornalista contou qual foi o enfoque e os resultados do trabalho.


“Centralizamos nosso questionamento nas agressões sofridas por mulheres negras, já que estas são os principais alvos e sofrem duplamente, vítimas do machismo e racismo. Nossa intenção com o estudo foi mostrar como, apesar da existência de leis federais direcionadas às mulheres e dos avanços relacionados às conquistas do público feminino, Salvador, como reflexo da realidade brasileira, ainda apresenta um cenário onde estas vivem sob tensão e ameaças diárias de violência”, relatou.


A qualidade e a repercussão do estudo motivou a página Blogueiras Negras a transformar o TCC em uma série, que pode ser acessada . Além da graduação, os alunas tiraram aprendizados do trabalho, como relata Wynne: “Exigiu horas de dedicação no planejamento, uma pesquisa aprofundada do tema, práticas de apuração, entrevistas bem elaboradas, diagramação e adequação do tema a linguagem online. Entendemos que trabalhos como este são de extrema necessidade para que a sociedade em si entenda sobre os índices de violência e que em briga de marido e mulher se mete a colher sim, que é preciso desconstruir o machismo já enraizado e não julgar essas mulheres, mas sim, dar suporte”.


Por se tratar de um tema delicado, nem tudo foi fácil na execução das tarefas. “Nosso maior desafio foi conseguir mulheres para relatar as agressões vividas. Entendemos que fazer com que elas nos contassem o que passaram era fazê-las reviverem toda dor de uma ferida, muitas vezes, sem cicatriz”, disse Wynne.


Por fim, a jornalista recomendou a formandos em que tema de TCC apostar: “O que fica para nós é o sentimento de sororidade, nós mulheres temos que nos unir para ajudar umas as outras, unidas realmente somos melhores! Pense em um tema que tenha afinidade, pois toda a energia, pesquisa e prática durante essa última etapa na faculdade será sobre este tema”.


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