Einstein, o misterioso gênio / Por Rafael Ligeiro - UNIP (SP)

Einstein, o misterioso gênio / Por Rafael Ligeiro - UNIP (SP)

Atualizado em 28/07/2005 às 10:07, por Rafael Ligeiro e  estudante de jornalismo da Universidade Paulista - Campus Norte (SP).

Por Cem anos depois de assombrar o mundo com a Teoria da Relatividade, Albert Einstein continua sendo um mistério para a humanidade. Apesar de diversos de seus trabalhos terem sido essenciais para áreas como a Física e a Astronomia, até hoje outros são como quebra-cabeças para cientistas, que tentam provar a eficiência dessas teses através de estudos e experimentos. E, tanto quanto os teoremas, a personalidade de Einstein é capaz de despertar curiosidade mesmo após 50 anos da morte do físico - ocorrida a 18 de abril de 1955, em Princeton, Estados Unidos.

Cabeleira branca, barba por fazer e trajes simples. Abrigado em uma das aparências mais conhecidas da humanidade se escondia um sujeito que classificava de modo curioso o pensamento, a busca por soluções e a relação com Deus. Nascido em 1879, em Ulm, cidade alemã de apenas 99 mil habitantes, Albert teve uma infância conturbada. As dificuldades para aprender a falar fizeram com que seus pais, Hermann e Pauline, desconfiassem que tivesse problemas mentais. Depois, em Munique - onde a família fora tentar a sorte na criação de uma fábrica de equipamentos elétricos -, Einstein se revelou em uma criança introvertida.

Assim como alguns dos átomos que estudaria anos mais tarde, o alemão parecia ter a capacidade de repelir o que estava ao seu redor. Especialmente pessoas. Definitivamente não era um "campeão de popularidade" na escola, raramente era visto na companhia de colegas. Aliás, o jeito reservado foi algo marcante na vida do matemático, até mesmo quando passou a lecionar física em universidades. "Conversar com Einstein seria profanar sua sagrada solidão", cita o filósofo brasileiro Huberto Rohden na obra Einstein: o Enigma do Universo. Morto em 1981, Huberto conheceu-o nos anos 40, no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton. Mas essa personalidade tinha explicação: o físico defendia a intuição como único caminho para descobertas. E para ouvir esse lado instintivo julgava necessário o silêncio.

Nesse sentido, as pessoas mais ligadas ao gênio viveram situações curiosas. Certa vez, querendo desenvolver uma tese, Albert ficou "incomunicável" por dias em um quarto com a porta trancada. Abria apenas para pegar sanduíches preparados pela prima e esposa Elsa. Nesse cárcere, quieto, acreditava alcançar um nível superior ao silêncio, um êxtase que proporcionava maior facilidade para descobertas. Outra prova disso foi relatada em carta para um amigo, em 1954, publicada anos depois na revista norte-americana Time. Nesse documento, o físico garantia não lembrar de ter feito sequer uma experiência para chegar à Teoria da Relatividade. Apenas seguiu sua intuição.

Esse estilo "mais teoria que prática", que parecia esperar instruções divinas, entretanto, não foi o único fator que fez Einstein ser considerado um homem místico. A relação com Deus era peculiar. O físico nunca proferiu uma religião, tanto que mesmo com pai judeu, chegou a freqüentar uma escola católica, em Munique. Mas acreditava que havia um ser superior no comando do universo de maneira perspicaz. "Deus não joga dados com o mundo", afirmava. "Ele é sutil, mas não é maldoso".

O gênio e a guerra
Em 1933, Albert Einstein viveu um momento extremamente tenso. De origem judaica, Einstein era contra os ideais nacionalistas e racistas do nazismo. Já reconhecido como uma autoridade em física, temia cair em mãos de seguidores do movimento para o desenvolvimento de armas nucleares. Por causa disso largou a cátedra em Física na Academia de Ciências da Prússia e decidiu partir da Europa. Em represália, Hitler confiscou todos os bens e retirou a cidadania alemã do matemático. Logo, porém, Albert recebeu convite para ser professor no Instituto de Estudo Avançados, nos Estados Unidos. Para muitos, se iniciou um trecho marcado por uma incógnita: estaria Einstein sendo escalado para o desenvolvimento da industria bélica norte-americana? O físico garantiu que sua participação se restringiu a uma carta enviada ao presidente Roosevelt alertando sobre a necessidade do país desenvolver estudos para criar a bomba atômica e o perigo dessa arma. "Sou apaixonadamente um pacifista", disse. "Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema (criação da bomba atômica) e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assim assumi minhas responsabilidades".

Quando os americanos lançaram bombas atômicas nas cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, Einstein certamente sentiu dor semelhante à de Santos Dumont na Primeira Guerra. O físico foi responsável por estudos que resultaram em avanços significativos no campo Nuclear e que, indiretamente, acabaram sendo utilizados pelos ianques durante a guerra. Mas, ao contrário do pai da aviação, que cometeu suicídio após ver sua criação rasgar o céu e acabar com vidas, Albert reagiu. Em 1946, criou o Comitê de Vigilância dos Cientistas Atômicos, visando o uso consciente da Física Nuclear. Classificou o serviço obrigatório militar como o "câncer da humanidade" e garantiu sonhar como um ambiente mundial que proporcionasse a extinção de exércitos. Mas também falou sobre quem tinha de participar de guerras.
"Deveriam mandar mulheres para a próxima guerra", falou. "Assim os sentimentos heróicos do belo sexo seriam utilizados de modo bem mais pitoresco que em atacar um civil sem defesa".