Editora Barcarolla lança biografia de Ariel Sharon
Editora Barcarolla lança biografia de Ariel Sharon
A conturbada trajetória política e pessoal do ex-primeiro-ministro israelense é o tema de um livro cheio de revelações de bastidores, que ajudam a conhecer melhor a história de Israel e seus dilemas.
"Sharon, o braço de ferro" apresenta o percurso político e pessoal de Ariel Sharon, um dos personagens mais marcantes da história de Israel, que fez carreira militar antes de se dedicar à política, ocupando sucessivamente os postos de deputado, ministro de várias pastas e primeiro-ministro - até sofrer um derrame cerebral, que o mantém em estado de coma desde janeiro de 2006.
Jornalista, cientista político e ex-diplomata, Freddy Eytan conviveu durante quarenta anos com Sharon e os principais dirigentes israelenses, o que lhe permitiu reunir dezenas de histórias e de revelações inéditas, apresentadas com notável espírito crítico.
O relato faz surgir um Ariel Sharon fascinante, profundamente individualista, impulsivo e manipulador, capaz de se expor sem avaliar os eventuais perigos, arriscando-se a ser imprudente. Eytan não mede as palavras para caracterizar o temperamento do biografado: "Rancoroso, arrebenta com tudo se suas opiniões e planos não são aceitos. O estilo é sempre surpreendente, brutal e espetacular. Não recua nunca, embora saiba que avançando para seu objetivo expõe-se a ataques de todos os lados".
Dentre os planos espetaculares de Sharon está a desocupação unilateral da faixa de Gaza e sua devolução aos palestinos, em 2005. Se o plano foi bem recebido pela mídia e pela esquerda, a decisão causou estupor no partido do próprio primeiro-ministro, o conservador Likud, que se voltou contra ele. Ao expor em minúcias os meses de crises políticas que se seguiram ao anúncio do plano, Eytan traz à luz uma série de escaramuças de bastidores, que mostram a complexidade das forças políticas em Israel e indicam como a intrincada política interna influi sobre as decisões governamentais, algo nem sempre claro para quem não acompanha muito de perto a política israelense.
Outro gesto surpreendente do ex-primeiro-ministro foi a fundação do Kadima, que rapidamente se tornou o maior partido político do país, criado para que ele pudesse efetivar o plano de desocupação unilateral da faixa de Gaza.
Um dos mais retumbantes fracassos de Sharon foi o massacre de civis palestinos refugiados nos campos de Sabra e Chatila, no Líbano, em 1982, cometidos por milícias cristãs libanesas, com as bênçãos de Israel. Pela primeira vez Sharon foi chamado de assassino pelos israelenses e acabou sendo obrigado a deixar o ministério da Defesa. Eytan questiona: "A jogada de Sharon é audaciosa, mas talvez arriscada demais. Pensou ele em todas as hipóteses? Levou em consideração as múltiplas minorias? Seus interesses? Suas fraquezas? Seus costumes e caprichos? É improvável".
Uma das debilidades do ex-primeiro-ministro são os filhos, Omry e Guilad, que exerceram o papel de conselheiros. Omry envolveu-se em um escândalo no financiamento de uma campanha eleitoral de Sharon, quando lavou dinheiro por meio de empresas fantasma e de caixas dois. Guilad meteu-se em um projeto imobiliário tão suspeito quanto faraônico e foi traído por escutas telefônicas. O autor não poupa críticas ao biografado: "Ariel Sharon deveria ter agido de outra maneira e dado o exemplo. (...) Era o que os israelenses esperavam de seu líder. Ficaram decepcionados. Ao procurar defender a todo custo seus filhos, Sharon reage tardiamente e muitas vezes é surpreendido pelas revelações da imprensa".
Serviço:
Livro: Sharon, o braço de ferro
Autor:Freddy Eytan
Editora Barcarolla
272 páginas
R$ 39






