Editor do Zero Hora é agredido por militantes governistas no Egito
O jornalista e editor do jornal Zero Hora , Luiz Antônio Araújo, foi agredido nesta quinta-feira (03) na cidade do Cairo, Egito. Araújo está no local desde terça (01/02), para realizar a cobertura das manifestações dos opositores ao governo do presidente Hosni Mubarak para o Grupo RBS.De acordo com o Jornal do Comércio , o profissional de imprensa brasileiro foi cercado por militantes pró-Mubarak, que estavam portando facas, pedras e pedaços de pau. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Araújo afirmou que foi empurrado e agredido pelo grupo. "Fui empurrado, levei soco, levei pontapé nas canelas e só consegui manter a integridade física tirando o passaporte e dizendo 'eu sou brasileiro'", declarou.
O jornalista, porém, teve sua máquina fotográfica levada pelos manifestantes, e só conseguiu ficar com seu passaporte. O editor do Zero Hora disse, ainda, que durante o tempo em que foi alvo do grupo, os soldados do Exército egípcio apenas observavam a situação, até que um deles se aproximou e pediu para que o grupo dispersasse. No momento, Araújo está abrigado na Embaixada do Brasil na cidade, localizada próximo ao local em que foi abordado pelos militantes.
Os protestos nas ruas do Cairo - que acontecem desde o dia 25 de janeiro - atingiram o ponto mais crítico na última quarta-feira (02), após manifestantes aliados do líder egípcio terem atacado opositores de Mubarak na Praça Tahrir. Cerca de 1,5 mil pessoas ficaram feridas e cinco mortos.
O repórter do jornal O Globo , Fernando Duarte, foi obrigado a deixar o hotel em que estava hospedado. "A intimidação está piorando. Estão ameaçando fechar o hotel da imprensa", informou o veículo. Correspondentes da Folha de S.Paulo e de O Estado de S. Paulo tiveram seus quartos invadidos por homens que levaram máquinas fotográficas e filmadoras.
O novo primeiro-ministro do Egito, Ahmed Shafiq, pediu desculpas pela violência cometidas nas manifestações, como parte do dever do Estado com seus cidadãos. "Como autoridades e um Estado que devem proteger seus filhos, pensei ser necessário me desculpar e sei que este fato não vai se repetir". Shafiq chegou a classificar os confrontos entre os manifestantes de "erro fatal", segundo informou O Globo .
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