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Editor de site é processado após divulgar salário de contador em MS

O jornalista Érik Silva, editor-chefe do site Folha MS, foi processado por publicar uma reportagem em que expôs o salário recebido por um funcionário público da Câmara de Corumbá, no Mato Grosso do Sul.


Crédito:Reprodução/Folha MS
De acordo com a Folha de S.Paulo , o contador Julio Cesar Bravo teria recebido, em março, R$ 45.769,87, valor correspondente a 52 salários mínimos. A quantia ultrapassa o teto do funcionalismo, de R$ 39.293,38, destinado a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois da publicação da matéria, o Ministério Público Estadual abriu uma investigação para apurar eventuais irregularidades no pagamento de servidores. No processo, o advogado de Bravo alega que o jornalista cometeu os crimes de injúria, calúnia e difamação, pois o texto teria "denegrido publicamente" a imagem do funcionário.
Silva se disse surpreso pela ação, uma vez que a reportagem tem como base informações públicas, divulgadas pelo Portal da Transparência. "Foi uma tentativa de censura e intimidação. É nítido que, nas reportagens veiculadas, não foram usados termos pejorativos. Sequer foi mencionado o nome da pessoa que está me processando", observou.
O defensor do jornalista, Artur Abelardo dos Santos Saldanha, destacou que os dados informados na matéria estão de acordo com as informações oficiais do governo e, portanto, "não há cabimento de processo". Ele disse ainda que pretende entrar com pedido de indenização por danos morais contra o contador.
O advogado de Bravo, José Carlos dos Santos, disse que não se manifestará até que a apuração do processo seja feita pela Justiça. A Câmara, via assessoria de imprensa, também preferiu não se pronunciar sobre os pagamentos relativos ao período de férias.
Em nota, o presidente da Câmara, Tadeu Vieira (PDT), afirmou que os salários pagos aos servidores "correspondem às qualificações e trabalhos desempenhados, além de estarem de acordo com o duodécimo repassado pela prefeitura".

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