"É um realismo fantástico", diz José Trajano sobre o novo livro "Tijucamérica"
Um livro de futebol, mas que não fala apenas sobre futebol. É assim que o jornalista José Trajano define "Tijucamérica", lançado n
Atualizado em 07/08/2015 às 14:08, por
Matheus Narcizo*.
Um de futebol, mas que não fala apenas sobre futebol. É assim que o jornalista José Trajano define "Tijucamérica", lançado no último mês de julho e que retrata a história de duas de suas grandes paixões: o América Football Club e o bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Crédito:Divulgação Livro de José Trajano reúne as paixões pelo América e a Tijuca
Nascido e criado na Tijuca onde viu o América conquistar seu último grande título em 1960, Trajano acredita que tanto o bairro quanto o clube de coração são órfãos de um passado brilhante: a Tijuca dos tijucanos, que migraram para a zona sul do Rio de Janeiro e o América dos americanos, que depois de tantos anos na fila, acabou perdendo seu posto de segunda torcida do estado.
O vínculo entre o bairro e o time, que nos anos 60 formavam um só segundo o jornalista, também se enfraqueceu. E é justamente este laço que Trajano tenta reconciliar através do poder místico de "Tijucamérica".
"Eu queria contar a história da Tijuca e do América, mas não queria contá-la de um jeito formal, careta. Então, resolvi escrever esse realismo fantástico", comenta.
O livro
Cansado da "fila" do América, que durou 50 anos – até o título da série B do Campeonato Carioca em 2015 –, e querendo dar algum motivo de alegria aos americanos, Trajano resolver dar um jeito de o clube de coração voltar a ser campeão. Para isso, apelou ao misticismo.
No livro, o jornalista se reúne com pais de santo, gurus e mágicos para pedir uma devota ajuda: ressuscitar todos os grandes jogadores, treinadores, preparadores de goleiros e dirigente do América. O motivo? Fazer com que a equipe, no auge da forma, voltasse a ser campeã.
Depois de três dias reunidos numa ilha deserta do Rio de Janeiro, os místicos chegam à conclusão de que a missão é possível. E aí, segundo Trajano, "a aventura fica completamente louca". Com um time de "mortos-vivos", até o Papa Francisco acaba invadindo a trama para acusá-los de "influencia do diabo", em referência ao símbolo do clube.
Para a grande final contra o Flamengo – uma vingança articulada pelo próprio jornalista, que não esquece o vice-campeonato carioca de 1955, quando o craque do time, Martin Alarcón, teve a perna quebrada – mais um pedido do jornalista foi atendido: o de reencarnar todos os torcedores do América.
Completando a festa, depois do jogo que sacramentou a conquista do campeonato, um grande show estrelado por torcedores do América como Tim Maia, Mário Reis, Francisco Alves, Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, entre outras personalidades tijucanas explode uma alegria engasgada há mais de cinquenta anos.
"Um show completamente maluco. No fim, todos os reencarnados são enterrados em Campos Salles, o antigo estádio do América", disse.
Escritor e torcedor
Longe de se considerar um escritor, Trajano se coloca no quadro de "bom contador de história". E é escrevendo sobre o que ama que ele aos poucos vai lançando seus livros. "O pessoal sempre gostou das minhas histórias. Então, tomei coragem e escrevi o primeiro livro, que é o 'Procurando Mônica'. Agora, o 'Tijucamérica' e já comecei a escrever o terceiro, que vai narrar a história da escola que estudei na adolescência. Sou um cara com boas histórias que consegue colocá-las no papel".
Misticismo ou não, a verdade é que o ano de 2015 reservou ótimas renovações para José Trajano. A principal delas foi a subida do América para a séria A do campeonato carioca. E ele comemorou em grande estilo.
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Livro de José Trajano reúne as paixões pelo América e a Tijuca
Nascido e criado na Tijuca onde viu o América conquistar seu último grande título em 1960, Trajano acredita que tanto o bairro quanto o clube de coração são órfãos de um passado brilhante: a Tijuca dos tijucanos, que migraram para a zona sul do Rio de Janeiro e o América dos americanos, que depois de tantos anos na fila, acabou perdendo seu posto de segunda torcida do estado.
O vínculo entre o bairro e o time, que nos anos 60 formavam um só segundo o jornalista, também se enfraqueceu. E é justamente este laço que Trajano tenta reconciliar através do poder místico de "Tijucamérica".
"Eu queria contar a história da Tijuca e do América, mas não queria contá-la de um jeito formal, careta. Então, resolvi escrever esse realismo fantástico", comenta.
O livro
Cansado da "fila" do América, que durou 50 anos – até o título da série B do Campeonato Carioca em 2015 –, e querendo dar algum motivo de alegria aos americanos, Trajano resolver dar um jeito de o clube de coração voltar a ser campeão. Para isso, apelou ao misticismo.
No livro, o jornalista se reúne com pais de santo, gurus e mágicos para pedir uma devota ajuda: ressuscitar todos os grandes jogadores, treinadores, preparadores de goleiros e dirigente do América. O motivo? Fazer com que a equipe, no auge da forma, voltasse a ser campeã.
Depois de três dias reunidos numa ilha deserta do Rio de Janeiro, os místicos chegam à conclusão de que a missão é possível. E aí, segundo Trajano, "a aventura fica completamente louca". Com um time de "mortos-vivos", até o Papa Francisco acaba invadindo a trama para acusá-los de "influencia do diabo", em referência ao símbolo do clube.
Para a grande final contra o Flamengo – uma vingança articulada pelo próprio jornalista, que não esquece o vice-campeonato carioca de 1955, quando o craque do time, Martin Alarcón, teve a perna quebrada – mais um pedido do jornalista foi atendido: o de reencarnar todos os torcedores do América.
Completando a festa, depois do jogo que sacramentou a conquista do campeonato, um grande show estrelado por torcedores do América como Tim Maia, Mário Reis, Francisco Alves, Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, entre outras personalidades tijucanas explode uma alegria engasgada há mais de cinquenta anos.
"Um show completamente maluco. No fim, todos os reencarnados são enterrados em Campos Salles, o antigo estádio do América", disse.
Escritor e torcedor
Longe de se considerar um escritor, Trajano se coloca no quadro de "bom contador de história". E é escrevendo sobre o que ama que ele aos poucos vai lançando seus livros. "O pessoal sempre gostou das minhas histórias. Então, tomei coragem e escrevi o primeiro livro, que é o 'Procurando Mônica'. Agora, o 'Tijucamérica' e já comecei a escrever o terceiro, que vai narrar a história da escola que estudei na adolescência. Sou um cara com boas histórias que consegue colocá-las no papel".
Misticismo ou não, a verdade é que o ano de 2015 reservou ótimas renovações para José Trajano. A principal delas foi a subida do América para a séria A do campeonato carioca. E ele comemorou em grande estilo.
"Estávamos num bar e alguém lembrou sobre a estátua do Tim Maia que fica na Praça Afonso Pena. Fomos até ela e comemoramos o título abraçados ao Tim. Veja só: o América campeão, o livro lançado e a Tijuca comemorando 250 anos. Não tinha momento melhor", conclui.
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves





