“É literatura do tamanho do nosso tempo”, diz jornalista sobre aplicativo de minicontos

A jornalista Déborah Gouthier desenvolve ferramenta que permite a leitura e a escrita colaborativa de minicontos em até 750 caracteres.

Atualizado em 27/10/2014 às 15:10, por Christh Lopes*.

Alternativa para quem deseja gastar alguns minutos sem se prender aos joguinhos do celular, o promete entregar minicontos para o leitor que deseja ter um passatempo literário. Em formato de aplicativo, a ferramenta funciona como uma plataforma digital que permite tanto a leitura como a escrita colaborativa no gênero com um limite estipulado de 750 caracteres.
Crédito:Silvio Simões Aplicativo difunde contos de 750 caracteres
A ideia é explorar o mundo literário e atender às necessidades dos próprios fundadores. Conforme conta a jornalista e escritora Déborah Gouthier, não havia uma opção produtiva para ocupar o tempo livre. A partir desta demanda o projeto foi desenvolvido. O seu conceito é simples: permitir a leitura de contos curtos por meio de um dispositivo móvel. Assim, o internauta pode explorar um novo universo.
Com a cultura na palma da mão é possível encaixar perfeitamente a leitura diária de um miniconto nos intervalos. “Como sempre dizemos, é literatura do tamanho do nosso tempo”, afirma Déborah, uma das responsáveis pela iniciativa. Ao lado do engenheiro de computação Lucas Garcia e da designer gráfica Isabella Gouthier ela desenvolve a parte de conteúdos da plataforma.
Após o apoio institucional do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, conquistado a partir de um edital público, o projeto foi levado adiante. Hoje, não funciona apenas como um acervo de materiais, mas também como um espaço que promove a produção cultural. “O leitor tem a opção de aproveitar a inspiração e escrever o seu próprio texto pela plataforma e enviar para curadoria”, diz.
Todos os contos publicados no aplicativo passam para uma revisão. No início, ela era feita especialmente pela jornalista mas, com a popularização da iniciativa, foi possível desenvolver uma curadoria-coletiva, composta por sete autores parceiros. “Os critérios fundamentais são a qualidade e o gênero, já que o Diminuto se restringe à publicação de contos”, diz a escritora Déborah Gouthier.
Ferramenta de comunicação eficaz
O ditado popular já dizia que ‘quem conta um conto, aumenta um ponto’. Modalidade de texto presente no cotidiano, este gênero literário narra um acontecimento que pode ter existido ou não. Sem compromisso com a realidade, pode ser a porta do conhecimento do mundo da leitura. “Talvez, numa análise mais complexa, por sua estrutura ser quase como uma notícia: o conto conta um fato”.
Crédito:Silvio Simões Idealizadores do Diminuto defendem passatempo literário
“Ele é como um romance, mas numa versão reduzida e, por isso, deve ir direto ao ponto. Ele precisa ser eficaz, mas sem perder a qualidade literária. As palavras precisam ter força e alcançar o leitor em cheio”, acrescenta. Com o sucesso da empreitada, o futuro não está tão distante. Para a jornalista, a plataforma já pode ser um espaço a ser aproveitado pelo jornalismo literário.
“Se um texto, mesmo que jornalístico, contiver as características de conto e o espaço estabelecido na nossa plataforma será muito bem-vindo no nosso aplicativo. Acho que o jornalismo literário é uma mágica incrível, que enriquece o jornalismo fortemente e valoriza, sobretudo, as pessoas. E o Diminuto vai ter sempre espaço para textos que comuniquem dessa maneira”, conclui Déborah.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves