"É a primeira vez que uma ditadura nos impede de receber papel", diz Jaime Chamorro, diretor do jornal nicaraguense La Prensa

Mais antigo da Nicarágua, o veículo de 93 anos com longa tradição de combate a ditaduras está prestes a encerrar sua edição impressa devido

Atualizado em 30/07/2019 às 11:07, por Redação Portal IMPRENSA.

A queda de receitas que desafia a indústria global de notícias e vem afetando os mais diferentes tipos de veículos de comunicação, de revistas segmentadas e informativos locais a jornais de tradição secular, não é nem de longe o maior problema enfrentado pelo jornal nicaraguense La Prensa.
Mais antigo da Nicarágua, o veículo de 93 anos vive a iminência de encerrar sua edição impressa devido à perseguição exercida pelo governo do país. Diretor e presidente do La Prensa, Jaime Chamorro Cardenal alega que, desde setembro de 2018, o presidente Daniel Ortega está impossibilitando a entrega de tinta, papel e outros insumos gráficos necessários à impressão do jornal.
O "embargo" estaria sendo realizado pela Direção Geral de Aduanas (DGA). Cardenal afirma que as autoridades alfandegárias não respondem cartas e não atendem chamadas telefônicas."Parece definitivamente uma ordem da presidência”, afirma Chamorro Cardenal, acrescentando que a intenção velada do governo é acabar com a versão impressa do jornal.
Desde o início da falta de insumos gráficos, o La Prensa tem 30% de suas páginas impressas em preto e branco, além de ter reduzido a quantidade de páginas de suas edições. O jornal também tem enfrentado ataques cibernéticos em sua página na internet. Crédito:Reprodução La Prensa

A tradição do La Prensa em se opor a governos autoritários remonta aos anos 1970, quando o veículo fez oposição à ditadura dos Somoza. Além de censura, a postura editorial causaria o assassinato, em janeiro de 1978, de Pedro Joaquín Chamorro, então diretor do jornal. Jaime Chamorro, atual diretor, é irmão do jornalista assassinado.
A morte de Pedro Chamorro foi o estopim para a formação de uma ampla frente de oposição à ditadura dos Somoza, que culminou, em 1979, na Revolução Sandinista. Nos anos 1980, o jornal acabou censurado pelos sandinistas. Em 1990, Violeta Barrios de Chamorro, viúva do diretor assassinado, derrotou Daniel Ortega em eleição que deu fim à Revolução Sandinista.