"É a oportunidade de alavancar a cobertura do paradesporto”, diz repórter da NHK

Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 começam no dia 7 de setembro e ainda há dúvidas se a imprensa brasileira está preparada para cobrircom a mesma intensidade e dedicação a competição do paradesporto.

Atualizado em 20/06/2016 às 13:06, por Vanessa Gonçalves.

de setembro e ainda há dúvidas se a imprensa brasileira está preparada para cobrir com a mesma intensidade e dedicação a competição do paradesporto. Para discutir o assunto, IMPRENSA realiza no próximo dia 24 de junho, em parceria com o curso de Jornalismo da ESPM de São Paulo, o

O evento, que será transmitido ao vivo, a partir das 15h, tem como objetivo capacitar profissionais da editoria de esportes para a cobertura dos Jogos e entender os desafios em cada etapa por meio de debates entre jornalistas, especialistas e personalidades.

Crédito:Divulgação ilian Migliorini, repórter da NHK Japan Broadcasting Corp

A jornalista Lilian Migliorini, repórter da NHK Japan Broadcasting Corp., participará do painel “Desafios da cobertura paraolímpica”. À IMPRENSA, ela comenta o assunto e acredita que a realização dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro "é a oportunidade de alavancar a cobertura do paradesporto no Brasil”.

IMPRENSA - Na sua opinião, por que o paradesporto tem tão pouco espaço na mídia brasileira? LILIAN MIGLIORINI - Acredito que há uma cobertura massiva do futebol na mídia brasileira, seja ele local, regional, nacional ou internacional. Esse esporte domina as coberturas esportivas, junto com algumas modalidades que também são populares, como o vôlei, natação e atletismo, para citar alguns. E quando você tem um domínio da cobertura desses esportes é realmente difícil ter espaço para os que ainda não muito conhecidos. Mesmo dentro dos esportes olímpicos há muitas modalidades que não são populares no Brasil e que não vemos muito, como o badminton, tênis de mesa, levantamento de peso, entre outros. No caso do paradesporto, é difícil disputar espaço com os esportes populares e já consolidados no gosto da audiência. Mas essa situação está mudando com a chegada dos Jogos Paraolímpicos, uma vez que a cobertura é obrigatória. Essa é a oportunidade de alavancar a cobertura do paradesporto no Brasil.

A mídia do Brasil está preparada para cobrir bem o evento?

Não saberia precisar se a mídia está ou não preparada para cobrir o evento, mas o que eu sinto é que o foco da mídia brasileira são os Jogos Olímpicos. Vemos muitas matérias sobre as Olimpíadas, o que significa que as redações estão se preparando para a cobertura dos Jogos Olímpicos. Acho que os jornalistas vão ter que se preparar um pouco mais para cobrir o esporte paraolímpico, porque há muitas variantes nas modalidades do paradesporto, como classes, regras, ou até mesmo os equipamentos, que eles precisam conhecer para poder transmitir com qualidade em suas matérias. Além disso, haverá um período entre o encerramento dos Jogos Olímpicos e o início dos Jogos Paralímpicos que será fundamental para a mídia e para o evento em si. Acredito que a cobertura nessa transição pode ajudar a aumentar o interesse do público em acompanhar pelos meios de comunicação, mas também em assistir as competições dos Jogos Paralímpicos.

A seu ver, qual será o impacto da realização dos jogos no Brasil?

Acho que o impacto pode ser muito positivo, se soubermos aproveitar esse timing. O próprio jornalismo brasileiro vai ser bastante impactado, já que muitos de nós estamos tendo a oportunidade de cobrir, por primeira vez, esse evento. Como a maioria está focada em cobrir as modalidades olímpicas, acho que há uma brecha para o jornalismo esportivo se especializar na cobertura do paradesporto.

Por outro lado, haverá um impacto grande na sociedade. Mudanças nos paradigmas e na percepção do diferente. Além de começar a criar um novo olhar nas pessoas, um olhar em que elas se coloquem no lugar do outro. Acho que isso pode trazer uma transformação positiva e permanente para a nossa sociedade.

Acha que o Brasil tem uma boa infraestrutura de acessibilidade? Poderá receber bem atletas e público, especialmente aqueles com alguma deficiência?

Acho que essa pergunta é uma continuação da minha resposta anterior. O impacto dos Jogos poderia ser muito mais expressivo em questões de acessibilidade. O Brasil, em geral, ainda está muito atrasado no que diz respeito a acessibilidade, principalmente nas vias públicas e nos meios de transporte público. Estive em Toronto, estive em Tóquio, e a acessibilidade nessas cidades são incríveis. Eu espero que os Jogos sejam um catalizador para que melhorias nessa área comecem a acontecer. Estamos vendo, por exemplo, no Rio de Janeiro a construção do Projeto Rotas Acessíveis, que tem tentado implementar a acessibilidade em pontos turísticos. Acho super válido, mas esse projeto tem que ser contínuo e se estender para todas as demais regiões da cidade e do país.

As instalações esportivas são 100% acessíveis, com certeza, os atletas e o público portador de alguma deficiência não terão problema em se locomover nas instalações. Mas, fora dali, acho que vai ser difícil para eles.

Para você, qual a visão da sociedade brasileira sobre os deficientes?

Acho que as pessoas têm uma visão um pouco limitada dos deficientes, há um estigma de que os deficientes são pessoas que não tem autonomia e se gera um sentimento de pena. Acho que os atletas e as pessoas deficientes em geral não querem ser tratados com pena, eles querem ser tratados como qualquer ser humano, com dignidade e respeito. E acho que precisamos aprender isso. Com a vinda dos Jogos Paralímpicos ao Brasil, poderemos mostrar a fortaleza que há nesses atletas para superarem seus traumas e problemas, e alcançar resultados expressivos, dando um show nas arenas e inspirando na sociedade uma mudança positiva na visão sobre os deficientes.


Serviço:

Fórum Online Cobertura Paraolímpica – conteúdo e treinamento

24 de junho, a partir das 15h

Transmissão ao vivo pelo Portal IMPRENSA

Inscrição gratuita e informações pelo site:


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