Dono de rádio candidato à prefeito em Alagoas é preso por impedir propaganda eleitoral

Dono de rádio candidato à prefeito em Alagoas é preso por impedir propaganda eleitoral

Atualizado em 21/08/2008 às 15:08, por Julia Baptista/Redação Revista IMPRENSA.

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Gustavo Bulhões, candidato à Prefeitura de São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, foi preso pela Polícia Federal na última quarta-feira (20), acusado de impedir a transmissão da propaganda eleitoral em sua rádio, a São Miguel FM.

Filho do ex-governador Geraldo Bulhões, Gustavo é candidato PRB e, de acordo com a juíza Nirvana Coêlho de Mello, da 18ª Zona Eleitoral, deixou de veicular as propagandas eleitorais de candidatos à vereador na última terça-feira (19).

Segundo informações do jornal O Globo , Gustavo Bulhões já responde a uma ação na Justiça por agredir um policial, mas sua candidatura não foi impugnada porque os outros candidatos à Prefeitura não entraram com nenhuma ação contra ele.

A juíza afirmou que ele "deixou a programação normal da rádio e não deu satisfações. Foi a gota d'água. Era locutor oficial da rádio e fazia autopromoção da sua candidatura, o que é ilegal. Conversei com ele, mas ele não me ouviu. Foi afastado do comando da locução por determinação judicial, mas um locutor continuou a fazer propaganda dele. Também usa a rádio para atacar os adversários políticos. Ele acredita na impunidade".

Em entrevista à revista IMPRENSA, Nirvana explicou que a prisão ocorreu em um contexto de desobediência que Gustavo vem cometendo. "Ele já vinha fazendo propaganda indevida, e eu já havia chamado a atenção dele. Não é assim que se faz política, não é assim que faz uma campanha".

O artigo 332 do Cógido Eleitoral impeede o exercício da propaganda eleitoral antecipada, podendo levar a uma detenção de até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias de multa. Segundo a magistrada, o candidato veiculava propagandas antecipadas na rádio com "mensagens subliminares".

"Seu número de campanha é 10. Ele falava na rádio para os ouvintes: 'se você ligar agora vai ganhar um CD que é 10', 'agora vamos ouvir músicas 10'. Além disso, atacava outros candidatos. Se isso acontecer de novo, vou decretar a prisão e acho que ele não tem mais condições de ter o benefício da liberdade", explicou Nirvana.

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