Do skate à desigualdade: esse é o cenário de Flávio Samelo

Do skate à desigualdade: esse é o cenário de Flávio Samelo

Atualizado em 05/03/2008 às 18:03, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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No início da década de 90, Flávio Samelo costumava andar de skate em uma pista localizada na zona norte de São Paulo. No entanto, o esporte não era o que ele fazia de melhor. "Muitos dos skatistas que andavam por lá eram bons. Eu, nem tanto", confessa.

Como uma forma de continuar acompanhado de seus amigos nas pistas de skate, sem se sentir "mal por não andar tão bem quanto eles", Samelo começou a fotografá-los e assim encontrou a coisa que mais gosta de fazer na vida: imagens.

Flávio Samelo

O jovem fotógrafo, de 31 anos, declara que gosta de retratar a desigualdade e as diferenças que existem e que aparecem diante de seus olhos. Assim, imagens como um carrinho de catador de lixo ao lado de uma Mercedes Benz ou um prédio luxuoso ao lado de uma favela são as suas preferidas.

Flávio Samelo

Apesar de retratar ainda o mundo do skate, Samelo afirma que seu trabalho não tem um tema, mas sim "uma discussão". Nesse sentido, o fotógrafo relembra sua foto favorita, que tirou em 1998, em Brasília. "Fotografei na frente do Senado. Os prédios e as cúpulas estavam ao fundo. Bem centralizado e perto da câmera, em primeiro foco, um monte bem grande de fezes de cavalo. Desde aquela época, para mim, a política brasileira está muito bem representada naquela imagem", declara.

Samelo acredita que, nos últimos anos, seu trabalho é recebido de maneira diferente pelo público. "Há uns cinco anos atrás, era mais o pessoal que curtia o skate que conhecia meu trabalho. Depois, comecei a trabalhar mais com arte e a coisa mudou completamente".

Flávio Samelo

Atualmente, o fotógrafo está na Nova Zelândia e irá, em seguida, para Nova Iorque entregar alguns de seus trabalhos para representantes e visitar galerias. Em abril, estará de volta ao Brasil para trabalhar em uma campanha da Nike.