Divergências na sucessão editorial provocam demissão em massa na revista Caros Amigos

Divergências na sucessão editorial provocam demissão em massa na revista Caros Amigos

Atualizado em 19/06/2008 às 14:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Divergências na sucessão editorial provocam demissão em massa na revista Caros Amigos

Dez funcionários da Caros Amigos deixaram a revista por supostas divergências na sucessão editorial. De acordo com uma nota divulgada pelo editor Mylton Severiano, o Myltainho - que ocupa o cargo desde a morte do fundador da revista, Sérgio de Souza, em 25 de março - e assinada pelo sócio-diretor Wagner Nabuco, os problemas têm relação com o processo sucessório ao cargo antes ocupado por Sérgio de Souza.

A nota diz que para comandar a continuidade da revista "a solução mais tranqüila que podia haver foi a ascensão de Mylton Severiano do cargo de editor-executivo ao de editor", já que ele, amigo de quase meio século de Serjão, fora por este chamado para ser seu "braço direito" na redação.

"Nós nos enganávamos, porém, ao achar que aquela seria a transição mais natural. Surpreendentemente,com o passar das semanas, notamos que os mais moços do corpo redacional resistiam à nova direção, entre eles os estagiários e alguns recém-chegados, todos capitaneados pelo jovem secretário de Redação, Thiago Domenici - que até então havia exercido inestimável papel no projeto editorial. Infelizmente eles formaram um grupo, que julgava que o secretário era quem deveria assumir a chefia da redação", explica Myltainho.

Vários episódios de insubmissão teriam ocorrido, como o dia em que Thiago "esquivou-se" de entrevistar a ministra Dilma Roussef, em visita a São Paulo, como teria combinado com Myltainho, e mandou uma repórter iniciante fazê-lo, "sem consultar nem avisar o editor". A decisão de uma capa de uma edição especial sobre meio ambiente também teria provocado divergências.

Na última sexta-feira (13), Thiago foi demitido e Myltainho explicou os fatos: "Ficou evidente a formação de grupo articulado quando, na reunião, todos os jovens seguidores do secretário se demitiram", conclui a nota.

Em solidariedade a Thiago, deixaram a revista Cylene Dworzak Dalbon, Léo Arcoverde e Rodrigo Aranha (repórteres), Jackson Viapiana, Mariana Santos e Natália Mendes (estagiários), Mariana Nóbrega (assistente de arte), Rodrigo Mendes (redator) e Vinícius Souto (assistente de redação).

Renato Pompeu (editor especial) também pediu demissão, mas sua posição é diferenciada, pois reconhece a autoridade da direção da revista, porém julga que a única coisa que o atraía na redação, o bom ambiente de camaradagem no trabalho, deixou de existir. Mariana Camarotti (correspondente na Argentina), Fernando Evangelista (repórter) e Lilian do Amaral (texto) também saíram.

Em resposta à nota assinada por Myltainho, os demissionários emitiram um comunicado dizendo que "nunca houve nenhum tipo de articulação e também nenhuma oposição ou tentativa de interferência ao processo de sucessão do editor. Em nenhum momento qualquer das pessoas que assinam essa carta duvidou que Mylton Severiano estivesse apto para assumir a direção da revista".

Eles explicam que, desde a morte de Sérgio de Souza, houve três edições regulares (abril, maio, junho) e duas edições especiais. "Nesse período, embora esperássemos mudanças por parte da nova direção, não imaginávamos que estas seriam tão contrárias àquilo que ainda nos mantinha no projeto e ao que sempre norteou o dia-a-dia da redação: liberdade de opinião, transparência nas decisões e, sobretudo, o diálogo".

De acordo com a carta, com o fechamento da edição especial de Meio Ambiente, no último dia 12, "concluímos que esse número já não condiz com a proposta da revista idealizada por Sérgio de Souza". Os demissionários também reclamam que Thiago Domenici foi demitido "arbitrariamente por telefone e sem direito a aviso prévio".

Crédito da foto: site Caros Amigos

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