"Dissidente é considerado a pior espécie de criminoso", diz jornalista independente cubano
"Dissidente é considerado a pior espécie de criminoso", diz jornalista independente cubano
Atualizado em 27/10/2010 às 17:10, por
Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA e de Havana (Cuba).
Por Ao entrevistar o escritor e jornalista independente Jorge Olivera Castillo é possível se assustar com algumas declarações iniciais como "em Cuba os dissidentes ou traidores da revolução são considerados como a pior espécie de criminosos". Mas ao ler a Constituição da República de Cuba na página 70, artigo 65 a determinação é clara: "A traição à pátria é o mais grave dos crimes, quem a comete receberá as mais severas sanções".
Assim, jornalistas independentes - que não atuam em veículos oficiais do país - vivem entre conciliar atividades paralelas e exercer o ofício de forma limitada no país, com o risco de ser preso. Castillo já passou por isso. Ele faz parte do grupo que foi detido durante uma onde de repressão do governo em março de 2003, acontecimento conhecido como a Primavera Negra.
Ele lembra que durante o período que ficou preso em Guantanamo, sofreu as piores condições que qualquer ser humano pode receber, e que, infelizmente isso continua acontecendo em Cuba. Em seu livro "O hóspede do inferno", o escritor relata seu período na cadeia e conta que muitos presos fazem na prisão o mesmo que os cidadãos diariamente: defendem a revolução.
Entre os jornalistas cubanos, Castillo faz parte de uma linha um pouco mais voltada à literatura do que ao jornalismo, mas existem outros, que atuam de forma um pouco mais investigativa como Odelin Alfonso. Formado em um curso a distância feito pela sede diplomática dos Estados Unidos, em Havana, com certificação da Universidade da Flórida, Alfonso escreve para veículos como o semanário Primavera Digital e o jornal A Primavera de Cuba e ele destaca a situação dos jornalistas independentes em seu país: "A maioria dos jornalistas carece de recursos para escrever ou para realizar coberturas informativas de inúmeros eventos, além das limitações para acessar a internet".
Além disso, para os cidadãos cubanos existe, ainda, a limitação de acesso à imprensa estrangeira. As publicações são caras e algumas fontes afirmam que existem proibições quanto a entrada de veículos do exterior no país. Entretanto, o próprio Fidel Castro reforça que existe liberdade quanto a distribuição destes veículos: "Aqui em Cuba se difundem muitos jornais estrangeiros, norte-americanos e europeus. Jornais importantes, sérios. Nisso nós somos mais tolerantes do que se diz. Estão disponíveis em muitos pontos de venda e podem ser comprados por euros. Mas não podemos gastar nossos recursos na importação dessa imprensa estrangeira porque temos outras prioridades", diz Castro.
Representação profissional
Felix Mendez, 40 anos, jornalista formado em Moscou destaca que "utilizar o termo 'jornalista independente' em Cuba é complicado, é melhor que se utilize freela, ou algo assim". No país, há entidades que representam os profissionais de comunicação. A União de Jornalistas de Cuba (UPEC) afirma em seu estatuto que tem como objetivo organizar seus afiliados em delegações de bases constituídas nos meios de imprensa do país. "Em cada um dos órgãos de imprensa nacionais funciona uma delegação de base. Os afiliados são aqueles cujo exercício profissional do jornalismo não se materialize mediante um vinculo administrativo com determinado órgão de imprensa". A UPEC congrega outras instituições como a Associação de Repórteres de Havana, a Associação de Imprensa de Cuba e outros grupos menores. "A UPEC tem como seus principais objetivos defender aos jornalistas no exercício legal e ético da profissão, no direito de acesso às fontes e no cumprimento de seu trabalho, informação e orientação", é importante considerar que para a UPEC somente os veículos oficiais podem exercer a profissão.
A Sociedade Interamericana de Imprensa destaca que não ocorreram mudanças na forma como são tratados os jornalistas no país, mesmo depois que o governo cubano assinou em 2008 acordos internacionais de direitos humanos. "No que se refere ao trabalho dos jornalistas independentes, foram documentadas desde abril de 2009 pelo menos 102 ações repressivas em todo o país. A lista de violações inclui detenções, multas, confiscos de dinheiro e materiais de trabalho, buscas em residências, agressões, intimidações em plena rua, demissões, represálias a parentes menores de idade, cortes de serviços telefônicos, violações de correspondência, bloqueios cibernéticos, proibições de participar de eventos públicos e de sair da província de residência", destaca a SIP.
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| Reprodução | |
| Jorge Olivera Castillo |
Ele lembra que durante o período que ficou preso em Guantanamo, sofreu as piores condições que qualquer ser humano pode receber, e que, infelizmente isso continua acontecendo em Cuba. Em seu livro "O hóspede do inferno", o escritor relata seu período na cadeia e conta que muitos presos fazem na prisão o mesmo que os cidadãos diariamente: defendem a revolução.
Entre os jornalistas cubanos, Castillo faz parte de uma linha um pouco mais voltada à literatura do que ao jornalismo, mas existem outros, que atuam de forma um pouco mais investigativa como Odelin Alfonso. Formado em um curso a distância feito pela sede diplomática dos Estados Unidos, em Havana, com certificação da Universidade da Flórida, Alfonso escreve para veículos como o semanário Primavera Digital e o jornal A Primavera de Cuba e ele destaca a situação dos jornalistas independentes em seu país: "A maioria dos jornalistas carece de recursos para escrever ou para realizar coberturas informativas de inúmeros eventos, além das limitações para acessar a internet".
Além disso, para os cidadãos cubanos existe, ainda, a limitação de acesso à imprensa estrangeira. As publicações são caras e algumas fontes afirmam que existem proibições quanto a entrada de veículos do exterior no país. Entretanto, o próprio Fidel Castro reforça que existe liberdade quanto a distribuição destes veículos: "Aqui em Cuba se difundem muitos jornais estrangeiros, norte-americanos e europeus. Jornais importantes, sérios. Nisso nós somos mais tolerantes do que se diz. Estão disponíveis em muitos pontos de venda e podem ser comprados por euros. Mas não podemos gastar nossos recursos na importação dessa imprensa estrangeira porque temos outras prioridades", diz Castro.
Representação profissional
Felix Mendez, 40 anos, jornalista formado em Moscou destaca que "utilizar o termo 'jornalista independente' em Cuba é complicado, é melhor que se utilize freela, ou algo assim". No país, há entidades que representam os profissionais de comunicação. A União de Jornalistas de Cuba (UPEC) afirma em seu estatuto que tem como objetivo organizar seus afiliados em delegações de bases constituídas nos meios de imprensa do país. "Em cada um dos órgãos de imprensa nacionais funciona uma delegação de base. Os afiliados são aqueles cujo exercício profissional do jornalismo não se materialize mediante um vinculo administrativo com determinado órgão de imprensa". A UPEC congrega outras instituições como a Associação de Repórteres de Havana, a Associação de Imprensa de Cuba e outros grupos menores. "A UPEC tem como seus principais objetivos defender aos jornalistas no exercício legal e ético da profissão, no direito de acesso às fontes e no cumprimento de seu trabalho, informação e orientação", é importante considerar que para a UPEC somente os veículos oficiais podem exercer a profissão.
A Sociedade Interamericana de Imprensa destaca que não ocorreram mudanças na forma como são tratados os jornalistas no país, mesmo depois que o governo cubano assinou em 2008 acordos internacionais de direitos humanos. "No que se refere ao trabalho dos jornalistas independentes, foram documentadas desde abril de 2009 pelo menos 102 ações repressivas em todo o país. A lista de violações inclui detenções, multas, confiscos de dinheiro e materiais de trabalho, buscas em residências, agressões, intimidações em plena rua, demissões, represálias a parentes menores de idade, cortes de serviços telefônicos, violações de correspondência, bloqueios cibernéticos, proibições de participar de eventos públicos e de sair da província de residência", destaca a SIP.
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