Discussões mais que atuais/Por Iraê Pereira Mota - Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip) - Caruaru-PE

Discussões mais que atuais/Por Iraê Pereira Mota - Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip) - Caruaru-PE

Atualizado em 23/06/2005 às 16:06, por Iraê Pereira Mota,  estudante de jornalismo da Faculdade do Vale do Ipojuca (Favip) e  em Caruaru-P.

Por
O 2º Congresso Brasileiro de Comunicação social trouxe à tona uma discussão, no mínimo, atual: "As novas tecnologias da informação e seus desafios para a criatividade". O encontro, realizado em Recife nos dias 3, 4 e 5 de junho, reuniu nomes de peso da comunicação do país e de Pernambuco como os jornalistas Mauro Salles, Caio Túlio Costa, Jô Mazzarollo, Vandeck Santiago e Ricardo Noblat. Entre as conferências, vários subtemas ligados à temática principal renderam bons debates entre a platéia e os apresentadores.

Destacando os pontos principais abordados na conferência de Caio Túlio Costa, criador do provedor UOL, da Revista da Folha e ombudsman da Folha de São Paulo, vemos que a comunicação sofreu vários reflexos, tanto positivos quanto negativos, com o tamanho desenvolvimento tecnológico pelo qual passa a sociedade. Ele também falou sobre a tv digital, definindo-a "como um ambiente de computação e comunicação multimídia, interativo, em rede, sobre o qual podem ser (e inevitavelmente serão) desenvolvidas aplicações que constituem um mercado mundial de centenas de bilhões de dólares ".

Foi Costa que também trouxe a discussão sobre três conceitos de comunicação desenvolvidos por pesquisadores: a modernidade líquida, de Baunam; o príncipe eletrônico, de Iamni; e a assimetria da informação, de Stiglitz. Essas três teorias basicamente falam sobre as mudanças que a comunicação sofreu com o advento da tecnologia e suas conseqüências no conteúdo, forma e mensagens.

Vandeck Santiago, repórter especial do Diário de Pernambuco, acentuou bem uma das armadilhas da estantaneidade. Segundo ele, um dos malefícios da necessidade de informações rápidas para o jornalismo impresso é que as notícias acabam ficando soltas, sem contextualização. Ele também falou sobre a tendência da especialização, afirmando que ela é necessária, mas o jornalista não pode virar um técnico no assunto porque não é essa a sua verdadeira função.

Na palestra do jornalista e escritor Ricardo Noblat, um tema amplo: "A Ética, a Perda da Exclusividade de Conteúdos, a Renovação da Língua Jornalística e outros desafios aos jornalistas da atualidade". Para falar sobre o assunto, ele fez uma comparação com a prática jornalística e o site de acompanhantes de luxo www.mclass.com.br . Numa analogia pouco comum, Noblat falou sutil e brilhantemente sobre o que se espera do jornalismo: informações confiáveis, foco no local, "por que" ou invés de "o quê", imaginação e ousadia, notícias exclusivas, antecipação dos fatos e novos formatos.

Algumas outras palestras foram mais voltadas à temática da criação e voltada especificamente para os profissionais e alunos de publicidade que também participaram do evento. Além disso, houve conferencistas que fugiram muito do tema proposto e depois de muito falar, não chegavam a lugar nenhum. Mesmo assim, a escolha dos assuntos das palestras e dos próprios palestrantes foi muito pertinente.

O Congresso foi validado como extensão universitária de 30 horas, mas para debater a comunicação seria necessário muito mais que isso. Falar sobre tecnologias da informação em pleno início de século XXI é primordial. Hoje estamos nos deparando com novos aparelhos e novos desafios. Com a explosão da internet como ferramenta comunicacional e as atuais discussões sobre a televisão digital, é preciso que o papel da comunicação e do jornalismo seja colocado em debate sempre, para que ele se molde ao perfil da sociedade, que vem mudando nos últimos tempos.