Diretor de TV educativa do PR, autor de artigo polêmico sobre Lula, vive no RJ

Diretor de TV educativa do PR, autor de artigo polêmico sobre Lula, vive no RJ

Atualizado em 01/12/2009 às 13:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O cientista político e editor carioca César Benjamin, que em artigo no jornal Folha de S.Paulo gerou polêmica ao citar uma passagem de quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em 1980, é funcionário comissionado do governo do Paraná, apesar de residir no Rio de Janeiro.

Benjamim é diretor-presidente da Rádio e Televisão Educativa (RTVE), de acordo com informações do site da Secretaria Estadual de Administração.

Na última sexta-feira (27), Benjamim afirmou, por meio de texto publicado na Folha , que durante os preparativos para a eleição presidencial de 1994, Lula teria revelado que tentou "subjugar" sexualmente um companheiro de cela à época que esteve preso. O artigo foi classificado pelo presidente como "loucura"; e pessoas que dividiram cela com Lula negaram que as declarações de Benjamim sejam verdadeiras.

Segundo indica o site da Gazeta do Povo, o atual diretor-presidente da RTVE auxilou na fundação do Partido dos Trabalhadores, mas acabou se afastando em 1995. Em 2001, Benjamim foi candidato a vice de Heloísa Helena.

A edição de 8 de dezembro de 2005 do Diário Oficial dá conta que, antes de ser nomeado para a direção da RTVE, Benjamim já havia sido contratado para a prestar "serviços profissionais especializados" ao governo do Paraná. Ele produziria dez documentários de "caráter-histórico-cultural e educativo sobre o Brasil".

O governador Roberto Requião (PMDB) declarou que Benjamim, de fato, é funcionário da RTVE. "Ele é funcionário, um comentarista político da emissora", declaração que foi confirmada por Marcos Batista, o qual responde formalmente pela direção da emissora, mas atua como secretário de Estado.

Batista explicou que Benjmaim foi nomeado diretor-presidente pois o cargo de presidente da emissora já estava ocupado, no caso, pelo próprio.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o governo do estado do Paraná declarou o "total repúdio e indignação às insinuações feitas por um funcionário do governo (César Benjamim)" no artigo sobre o presidente.

"Era preciso mais que uma simples declaração"

O ombudsman da Folha , Carlos Eduardo Lins da Silva, respondeu, na edição do último domingo (29), aos questionamentos dos leitores sobre o artigo de César Benjamim salientando que "não faz parte do escopo de trabalho do ombudsman emitir juízo de valor sobre textos opinativos", mas que concorda com a observação feita por um dos leitores, o qual demanda do jornal a reconstituição dos fatos narrados pelo autor do texto antes que o mesmo fosse publicado, uma vez a acusação era grave.

"De fato, não cabe a um ombudsman julgar opinião manifestada em artigos. Mas, para acusação de tamanha gravidade, que atinge não apenas o presidente, mas terá repercussão em toda a sua família, era preciso que o editor exigisse mais do que a simples declaração de um ex-militante do PT para publicar o texto. Benjamin não manifesta uma opinião, relata um suposto fato, o que é verificável", observou Lins da Silva.

Antes de cobrar do jornal espaço para resposta de Lula, o ombusdman sublinha que a verificação dos fatos "era condição prévia para a publicação do artigo", e questiona: "Estamos falando de jornalismo ou de briga de rua?".

Leia mais