Diretor de TV educativa do PR, autor de artigo polêmico sobre Lula, vive no RJ
Diretor de TV educativa do PR, autor de artigo polêmico sobre Lula, vive no RJ
O cientista político e editor carioca César Benjamin, que em artigo no jornal Folha de S.Paulo gerou polêmica ao citar uma passagem de quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em 1980, é funcionário comissionado do governo do Paraná, apesar de residir no Rio de Janeiro.
Benjamim é diretor-presidente da Rádio e Televisão Educativa (RTVE), de acordo com informações do site da Secretaria Estadual de Administração.
Na última sexta-feira (27), Benjamim afirmou, por meio de texto publicado na Folha , que durante os preparativos para a eleição presidencial de 1994, Lula teria revelado que tentou "subjugar" sexualmente um companheiro de cela à época que esteve preso. O artigo foi classificado pelo presidente como "loucura"; e pessoas que dividiram cela com Lula negaram que as declarações de Benjamim sejam verdadeiras.
Segundo indica o site da Gazeta do Povo, o atual diretor-presidente da RTVE auxilou na fundação do Partido dos Trabalhadores, mas acabou se afastando em 1995. Em 2001, Benjamim foi candidato a vice de Heloísa Helena.
A edição de 8 de dezembro de 2005 do Diário Oficial dá conta que, antes de ser nomeado para a direção da RTVE, Benjamim já havia sido contratado para a prestar "serviços profissionais especializados" ao governo do Paraná. Ele produziria dez documentários de "caráter-histórico-cultural e educativo sobre o Brasil".
O governador Roberto Requião (PMDB) declarou que Benjamim, de fato, é funcionário da RTVE. "Ele é funcionário, um comentarista político da emissora", declaração que foi confirmada por Marcos Batista, o qual responde formalmente pela direção da emissora, mas atua como secretário de Estado.
Batista explicou que Benjmaim foi nomeado diretor-presidente pois o cargo de presidente da emissora já estava ocupado, no caso, pelo próprio.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o governo do estado do Paraná declarou o "total repúdio e indignação às insinuações feitas por um funcionário do governo (César Benjamim)" no artigo sobre o presidente.
"Era preciso mais que uma simples declaração"
O ombudsman da Folha , Carlos Eduardo Lins da Silva, respondeu, na edição do último domingo (29), aos questionamentos dos leitores sobre o artigo de César Benjamim salientando que "não faz parte do escopo de trabalho do ombudsman emitir juízo de valor sobre textos opinativos", mas que concorda com a observação feita por um dos leitores, o qual demanda do jornal a reconstituição dos fatos narrados pelo autor do texto antes que o mesmo fosse publicado, uma vez a acusação era grave.
"De fato, não cabe a um ombudsman julgar opinião manifestada em artigos. Mas, para acusação de tamanha gravidade, que atinge não apenas o presidente, mas terá repercussão em toda a sua família, era preciso que o editor exigisse mais do que a simples declaração de um ex-militante do PT para publicar o texto. Benjamin não manifesta uma opinião, relata um suposto fato, o que é verificável", observou Lins da Silva.
Antes de cobrar do jornal espaço para resposta de Lula, o ombusdman sublinha que a verificação dos fatos "era condição prévia para a publicação do artigo", e questiona: "Estamos falando de jornalismo ou de briga de rua?".
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