Diretor de estúdio mais antigo da Record conta histórias dos bastidores da emissora
No especial de 60 anos da TV Record, exibido no mês de setembro de 2013, Roberto Justus homenageou, com pompa e circunstância, um profissional considerado a cara da emissora.
Atualizado em 07/01/2014 às 14:01, por
Gabriela Ferigato.
Não que ele estampe comerciais ou apareça nas novelas e programas da casa, mas carrega em si parte da história do canal. Cláudio Lopes, conhecido como Geleia, trabalha na Record há trinta anos e é reconhecido e conhecido por diversas gerações de artistas e funcionários.
Crédito:Antônio Chahestian/Record Geléia, como é conhecido, trabalha há 30 anos na emissora Foi graças ao futebol que ele fez “história na televisão”, como gosta de dizer. Ainda menino, quando o sonho era ser jogador profissional, passava em quase todas as peneiras. Foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre, mas não estava satisfeito com o salário e decidiu voltar para São Paulo, onde nasceu. Foi quando um amigo o convidou para jogar no time dos artistas da Excelsior, extinto canal 9. Em 1964, deixou o gramado e começou a atuar com montagem de cenário. Aliás, foi também no futebol que ganhou sua marca registrada. “Eu jogava muita bola e os caras ficavam em cima de mim. Teve uma vez que cai igual geleia. Fiquei nervoso com o apelido, mas pegou. Atores, atrizes, jogadores me conhecem assim. É a minha marca”, conta.
Em 2014, ele completa cinquenta ininterruptos anos de televisão. “Eu gostava de jogar bola, mas a tevê atingiu na veia. De lá pra cá venho me aprimorando cada vez mais. Sou conhecido em todas as emissoras, pois passei por muitas. Às vezes, vou visitar o pessoal dos outros canais e eles gritam: ‘Vem trabalhar aqui’. Antigamente era difícil trabalhar com diretores de nome, e eu atuei com quase todos. Gostaram de mim. Acho que cai nas graças deles.” Deles e de todos ao seu redor.
Crédito:
Geléia, como é conhecido, trabalha há 30 anos na emissora Pelos corredores da Record muitos fazem questão de parar para cumprimentá-lo. Atualmente, Geleia é diretor de estúdio e cuida dos bastidores dos programas gravados no Teatro, um dos estúdios da emissora, entre eles “Domingo da Gente”, “Legendários” e “O Melhor do Brasil”. Foi nesse último que o queridinho do canal 7 recebeu outra homenagem, dessa vez do apresentador Rodrigo Faro. “Nós temos muita amizade. Toda a equipe gosta muito de trabalhar com o Faro, é um programa gostoso de fazer. Ele brinca, tira sarro de todo mundo. É muito legal.”
Barba, cabelo e bigode É uma tarefa extremamente difícil pensar em alguém que Cláudio não conheça ou que não tenha trabalhado, afinal, passou por linhas de show, novelas, jornalismo, cobertura de política de inúmeras – leia-se “praticamente todas” – emissoras, como Rede Excelsior, TV Cultura, Rede Globo, Bandeirantes, SBT, TV Tupi e Record. “Quando eu comecei, no canal 9, eu fiquei bobo. Quem viu o que era aquilo, nunca vai esquecer. Foi uma fase incrível da televisão, não vi nada igual. Foi uma escola para mim”, lembra.
Ele estava na Bandeirantes quando foi chamado para trabalhar no Festival de Música Popular Brasileira da Record, na década de 1960. “Os caras sabiam que eu fazia linha de show e me chamaram. Naquela época era tudo ao vivo, não era qualquer um que fazia, não. Tinha uma banda com quinze pessoas, depois entrava outro negócio. Lembro-me de Jair Rodrigues, Chico Buarque, Roberto Carlos, Elis Regina. Eu estava junto com essa nata e os vi crescerem.”
Crédito:Edu Moraes/ Record
Geleia tem passagens pela TV Bandeirantes, Excelsior, Globo, SBT e Record Silvio Santos, Lombardi, Hebe Camargo, Faustão, Aírton Rodrigues, Tom Cavalcante, Raul Gil, Chacrinha, e a lista segue numerosa. Além dos apresentadores de diversas gerações, Geleia teve a oportunidade de trabalhar e conhecer diretores de novela, artistas, cantores e jogadores de futebol, obviamente o rei Pele entra na lista vip. Como é de se esperar, algumas das mais excêntricas histórias aconteceram com o José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha. “O programa era sempre ao vivo e teve uma vez que o Chacrinha ficou doido, porque uma das chacretes deu bola para um operador de câmera. Isso deu uma confusão tão grande que tivemos que sair do ar. Até o presidente da Bandeirantes foi ver o que estava acontecendo.
Outra vez, eu o ouvi gritar: ‘Quem quer bacalhau?’, e o peixe caiu nos olhos de uma menina. É claro que ele pagou tudo e arcou com a responsabilidade, mas foi complicado. Mesmo assim é um programa para o qual temos que tirar o chapéu, como diria Raul Gil.”
Casado e pai de dois meninos e uma menina, apesar da rotina desenfreada de gravações, sempre que pode foge para a sua casa em Presidente Epitácio (SP), divisa com Mato Grosso do Sul. Ele observa, calmamente, os movimentos do rio Paraná e escuta o cantar dos pássaros. Lá não tem espaço para tevê, muito menos para a correria de costume. “É outra vida. O céu é colorido, diferente de São Paulo que é sempre escuro. Eu vejo o nascer do sol no rio e o reflexo da lua aparecer na água. É a coisa mais linda.” Hoje, aos 68 anos, Geleia já se aposentou, mas ainda não arranjou tempo para pensar em parar de trabalhar. “A minha vida é a televisão, essa é a verdade. Eu moro muito mais aqui do que na minha própria casa. Minha mulher fica doida.”
Crédito:Antônio Chahestian/Record Geléia, como é conhecido, trabalha há 30 anos na emissora Foi graças ao futebol que ele fez “história na televisão”, como gosta de dizer. Ainda menino, quando o sonho era ser jogador profissional, passava em quase todas as peneiras. Foi contratado pelo Internacional de Porto Alegre, mas não estava satisfeito com o salário e decidiu voltar para São Paulo, onde nasceu. Foi quando um amigo o convidou para jogar no time dos artistas da Excelsior, extinto canal 9. Em 1964, deixou o gramado e começou a atuar com montagem de cenário. Aliás, foi também no futebol que ganhou sua marca registrada. “Eu jogava muita bola e os caras ficavam em cima de mim. Teve uma vez que cai igual geleia. Fiquei nervoso com o apelido, mas pegou. Atores, atrizes, jogadores me conhecem assim. É a minha marca”, conta.
Em 2014, ele completa cinquenta ininterruptos anos de televisão. “Eu gostava de jogar bola, mas a tevê atingiu na veia. De lá pra cá venho me aprimorando cada vez mais. Sou conhecido em todas as emissoras, pois passei por muitas. Às vezes, vou visitar o pessoal dos outros canais e eles gritam: ‘Vem trabalhar aqui’. Antigamente era difícil trabalhar com diretores de nome, e eu atuei com quase todos. Gostaram de mim. Acho que cai nas graças deles.” Deles e de todos ao seu redor.
Crédito:
Geléia, como é conhecido, trabalha há 30 anos na emissora Pelos corredores da Record muitos fazem questão de parar para cumprimentá-lo. Atualmente, Geleia é diretor de estúdio e cuida dos bastidores dos programas gravados no Teatro, um dos estúdios da emissora, entre eles “Domingo da Gente”, “Legendários” e “O Melhor do Brasil”. Foi nesse último que o queridinho do canal 7 recebeu outra homenagem, dessa vez do apresentador Rodrigo Faro. “Nós temos muita amizade. Toda a equipe gosta muito de trabalhar com o Faro, é um programa gostoso de fazer. Ele brinca, tira sarro de todo mundo. É muito legal.” Barba, cabelo e bigode É uma tarefa extremamente difícil pensar em alguém que Cláudio não conheça ou que não tenha trabalhado, afinal, passou por linhas de show, novelas, jornalismo, cobertura de política de inúmeras – leia-se “praticamente todas” – emissoras, como Rede Excelsior, TV Cultura, Rede Globo, Bandeirantes, SBT, TV Tupi e Record. “Quando eu comecei, no canal 9, eu fiquei bobo. Quem viu o que era aquilo, nunca vai esquecer. Foi uma fase incrível da televisão, não vi nada igual. Foi uma escola para mim”, lembra.
Ele estava na Bandeirantes quando foi chamado para trabalhar no Festival de Música Popular Brasileira da Record, na década de 1960. “Os caras sabiam que eu fazia linha de show e me chamaram. Naquela época era tudo ao vivo, não era qualquer um que fazia, não. Tinha uma banda com quinze pessoas, depois entrava outro negócio. Lembro-me de Jair Rodrigues, Chico Buarque, Roberto Carlos, Elis Regina. Eu estava junto com essa nata e os vi crescerem.”
Crédito:Edu Moraes/ Record
Geleia tem passagens pela TV Bandeirantes, Excelsior, Globo, SBT e Record Silvio Santos, Lombardi, Hebe Camargo, Faustão, Aírton Rodrigues, Tom Cavalcante, Raul Gil, Chacrinha, e a lista segue numerosa. Além dos apresentadores de diversas gerações, Geleia teve a oportunidade de trabalhar e conhecer diretores de novela, artistas, cantores e jogadores de futebol, obviamente o rei Pele entra na lista vip. Como é de se esperar, algumas das mais excêntricas histórias aconteceram com o José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha. “O programa era sempre ao vivo e teve uma vez que o Chacrinha ficou doido, porque uma das chacretes deu bola para um operador de câmera. Isso deu uma confusão tão grande que tivemos que sair do ar. Até o presidente da Bandeirantes foi ver o que estava acontecendo. Outra vez, eu o ouvi gritar: ‘Quem quer bacalhau?’, e o peixe caiu nos olhos de uma menina. É claro que ele pagou tudo e arcou com a responsabilidade, mas foi complicado. Mesmo assim é um programa para o qual temos que tirar o chapéu, como diria Raul Gil.”
Casado e pai de dois meninos e uma menina, apesar da rotina desenfreada de gravações, sempre que pode foge para a sua casa em Presidente Epitácio (SP), divisa com Mato Grosso do Sul. Ele observa, calmamente, os movimentos do rio Paraná e escuta o cantar dos pássaros. Lá não tem espaço para tevê, muito menos para a correria de costume. “É outra vida. O céu é colorido, diferente de São Paulo que é sempre escuro. Eu vejo o nascer do sol no rio e o reflexo da lua aparecer na água. É a coisa mais linda.” Hoje, aos 68 anos, Geleia já se aposentou, mas ainda não arranjou tempo para pensar em parar de trabalhar. “A minha vida é a televisão, essa é a verdade. Eu moro muito mais aqui do que na minha própria casa. Minha mulher fica doida.”





