Dilma questiona autenticidade de documento publicado pela Folha

Dilma questiona autenticidade de documento publicado pela Folha

Atualizado em 20/04/2009 às 17:04, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Dilma questiona autenticidade de documento publicado pela Folha

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Agência Brasil
Dilma Roussef
Na última sexta-feira (17), durante entrevista a rádio Itatiaia de Belo Horizonte (MG), a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, questionou uma ficha sobre sua prisão durante a ditadura reproduzida por reportagem do jornal Folha de S.Paulo , publicada no último dia 5 de abril.

"A ficha é falsa. É uma montagem (...) Estou, atualmente, numa discussão, tentando ver com a Folha de S.Paulo de onde eles tiraram aquela ficha, porque até agora ela não está em nenhum dos arquivos que pelos menos nós olhamos. Então, ela não é produto nem daquela época, ela é produto recente, manipulado, de órgãos ou de interesses escusos daqueles que praticaram esses atos no passado", disse a ministra.

Dilma ainda negou participação em ações criminosas realizadas em São Paulo e atribuídas a ela na ficha publicada pelo jornal. "Eu nunca militei em São Paulo nesse período em que eles relatam na ficha. Eu morava em Minas. Tem datas aí [na ficha], de 1968, que eu não só morava aí [em Belo Horizonte], como estudava na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Tinha endereço certo e sabido", salientou.

Ainda sobre a ficha, a ministra disse que a mesma "cumpre função similar àquela pergunta que me foi feita no Senado" - Dilma se refere ao questionamento do senador Agripino Maia (DEM-RN), em maio do ano passado, sobre ela ter mentido em seus depoimentos durante a ditadura. Dilma rebateu: "Não é possível supor que se dialogue no choque-elétrico, no pau-de-arara. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia".

Ainda na matéria, o jornal afirmou que a ministra, ao recordar o episódio na última sexta-feira no Senado, fez menção à editorial em que a Folha classificou a ditadura militar brasileira "de branda". "A minha situação fica bastante desagradável para aqueles que defendem ou que houve uma ditadura branda no Brasil ou que no Brasil não havia uma regularidade, naquele período, democrática. Nem uma coisa nem outra. Naquela época se torturava, se matou, se prendeu", disse Dilma.


A resposta da Folha de S.Paulo

Em reportagem publicada no último sábado (18), a Folha respondeu à reação da ministra dizendo que, na matéria, o diário informava," na legenda sob a reprodução do documento, que a ministra não havia cometido os crimes a ela imputados".

Em nota da redação, o diário declarou que "tão logo a ministra colocou em dúvida a autenticidade de uma das reproduções publicadas, a Folha escalou repórteres para esclarecer o caso e publicará o resultado dessa apuração numa próxima edição".

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