Diferença editorial entre jornais pagos e gratuitos é tema de debate na França

Diferença editorial entre jornais pagos e gratuitos é tema de debate na França

Atualizado em 03/02/2009 às 15:02, por Cristina Palmeira,  colaboração ao Portal IMPRENSA e  de Paris.

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O debate entre imprensa gratuita x jornais pagos parece não inquietar os dirigentes franceses. Pelo menos é o que se pode apreender de uma conferência da qual participaram o diretor geral do francês Le Figaro , Francis Morel, e o presidente do jornal gratuito 20 minutos , Pierre-Jean Bozo. "O DNA editorial do leitor de 20 minutos é diferente daquele do Le Monde ou do Le Figaro ", afirmou Bozo durante seminário na Universidade de Paris Dauphine em comemoração aos 30 anos do Institute Pratique de Journalisme .

Segundo Bozo, seu leitor consome meros 19 minutos para percorrer o jornal contra os 29 minutos exigidos para leitura do Le Figaro . Mas o "leitor do Le Figaro faz uma seleção dos temas que lhe interessam", salientou o presidente do gratuito.

O diretor do Le Figaro - que aliás saiu em defesa da imprensa gratuita - afirmou que o 20 minutos não tem a mesma qualidade que o centenário impresso francês mas é um grande jornal. Segundo ele, um jornal gratuito pode ser um complemento ao Le Figaro , que procura dar uma informação mais aprofundada. "Nós não estamos aqui para construir o mundo, mas para responder à necessidade de um mínimo de informação", afirmou Bozo, cujo jornal conta atualmente com cerca de 2,5 milhões de leitores diários, abastecidos em grandes concentrações como nas estações de metrô e trem.

O 20 minutos chegou à França com o objetivo de conquistar novos leitores, principalmente, entre os 13 milhões de jovens que não liam nenhum jornal em 2002. Hoje, a imprensa gratuita na França atinge 4, 2 milhões de leitores. Mas, este modelo, baseado exclusivamente na publicidade, confrontou-se, principalmente, a partir de 2006, com o advento da conexão internet de alta velocidade e a mudança de hábito dos leitores, cada vez mais propícios a buscarem a informação no computador do que em uma folha impressa.

Morel sublinhou ainda que os leitores são cada vez mais infiéis a um titulo, mas disse que os sites de informação mais consultados são justamente os dos jornais de renome. O Figaro recebe mais de cinco milhões de visitas únicas em seu site e encabeça a lista dos jornais franceses mais consultados. Apesar desta cifra, o site não é rentável. Morel comentou que até mesmo o New York Times perde dinheiro com o seu site.

O diretor geral do Le Figaro explicou que é importante manter um site para garantir a ligação com o leitor, além de vender serviços. Em termos de organização do trabalho, Morel disse que há duas redações que, fisicamente, estão próximas, mas cada uma tem uma fórmula diferente de texto. Contudo, os jornalistas do jornal podem ter seu texto veiculado na web. Afinal, muitas vezes, o repórter tem muita informação e pouco espaço, e o site pode ser um caminho para publicar dados extras que não constam da versão imprensa. Ou mesmo, o caso de um furo que pode vazar, mas se ele for publicado imediatamente na internet, o jornalista consegue garantir sua exclusividade - pelo menos por algumas horas.

Morel lembrou que há uma profusão excessiva de sites de informação na internet, mas ele pondera que é justamente por esta razão que a mídia deve refletir cada vez mais sobre os assuntos que publica.

O diretor geral do Le Figaro sublinhou que o jornalismo requer rigor e paixão. "É preciso ter rigor senão podemos nos deixar levar pela paixão e escrever editoriais inflamados", alertou Morel.

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