Descaso com deficientes físicos / Por Carlos Alberto Filho - FJA (BA)

Descaso com deficientes físicos / Por Carlos Alberto Filho - FJA (BA)

Atualizado em 11/08/2005 às 13:08, por Carlos Alberto Filho e  estudante de jornalismo da Faculdades Jorge Amado (BA).

Descaso com deficientes físicos / Por Carlos Alberto Filho - FJA (BA)

Por O atleta Antônio Jorge, 52, 3º colocado na Meia Maratona Internacional da Bahia em 2004, é apenas uma das inúmeras pessoas com deficiência que encontram sérias dificuldades para praticar esportes em Salvador. Segundo este atleta, a cidade possui uma péssima infra-estrutura esportiva voltada aos deficientes e a assistência dada pelo governo deixa a desejar.

Antônio Jorge começou a praticar esportes em cadeira de rodas no ano de 1992, no Rio de Janeiro. Ele ficou paraplégico após ter sido atingido por um tiro no ponto de ônibus. Por ser um atleta que participou de diversos campeonatos pelo país ele afirma que Salvador é uma das piores cidades para os deficientes praticarem esportes. A cidade não possui locais adequados, não tem quadras esportivas bem equipadas e falta material para treino. Segundo ele, o Sul do país e a Paraíba são os locais mais apropriados, pois têm excelente infra-estrutura e há um investimento maciço do governo. Jorge desenvolve suas atividades na praça Bahia Sol, em Ondina. Lá dá aulas de basquete e futsal, mas devido às precárias condições em que se encontra a quadra esportiva, atualmente, os treinos ocorrem na Universidade Federal da Bahia. Além de professor Jorge presta serviços à prefeitura e é diretor do bloco Me Deixe A Vontade que tem os deficientes como foliões.

O atleta afirma que pela falta de apoio do governo e das empresas ele deixa de participar de grandes campeonatos. Ressalta ainda que a única autoridade em Salvador que ajuda com o transporte e doa cadeiras de rodas é o vereador Agenor Gordilho. O descaso das instituições governamentais com os deficientes físicos é um fato lembrado também pela ABC ( Associação Baiana de Cegos).

A ABC, entidade filantrópica fundada em 1986 e com cerca de 600 associados, diz encontrar muitas dificuldades em conseguir apoio para desenvolver seus projetos relacionados principalmente ao futsal e natação. Para Jamilton Moreira dos Santos, diretor de esportes da ABC, a falta de materiais como bolas e cadeira de rodas contribui decisivamente para a pouca participação em campeonatos. Jamilton diz que apesar de todas as complicações, ainda conseguem fazer algumas viagens para fora do Estado. Entre os títulos conquistados está o de Vice-Campeões da Copa Brasil realizada em 2004 no Rio de Janeiro. A ABC enfrenta dificuldades desde o início de sua existência. Para conseguir um espaço próprio lutaram durante três anos buscando apoio dos poderes públicos, mas só receberam a doação de um prédio no final desses três anos de luta graças à Congregação Franciscana Imaculatina.

Se levado em conta as informações dadas pela SUDESB (Superintendência de Desporto do Estado da Bahia), as reclamações dos deficientes físicos parecem não fazer muito sentido. Segundo Jorge Vital de Lima, 75, diretor de Fomento da Sudesb, a assistência do Estado sempre existiu e agora está ainda maior com uma nova política pública voltada ao esporte. Esta política visa a melhoria da infra-estrutura necessária ao deficiente físico. A piscina aquecida da Fonte Nova é resultado dessa nova política. Jorge Vital diz ainda que a Sudesb atende as carências de instituições que praticam esportes com deficientes doando kits esportivos. A exemplo de entidade beneficiada está a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos. Além disso, existe o programa Esporte Escola da Sudesb. Este programa é desenvolvido em três etapas. A primeira chamada de iniciação, dando início ao aprendizado, a segunda participação e a terceira rendimento. Na última etapa o atleta está apto a participar de competições. Na Sudesb são desenvolvidos vários esportes, entre eles, natação, voley, baskete e judô.

Quanto à falta de apoio do governo, Jorge Vital afirma que a assistência não é completa, pois a verba para os investimentos não vem somente do Estado. Há uma grande parte que é fornecida pelo governo Federal. Muitas vezes este dinheiro não é repassado como foi prometido e os deficientes sofrem então as conseqüências.

Apesar de todas as dificuldades encontradas pelos deficientes físicos, eles têm superado cada vez mais os obstáculos demonstrando muita força de vontade. Esse fato é refletido, por exemplo, nas Pára Olimpíadas de Atenas realizada em 2004 quando o Brasil teve sua maior delegação, 99 atletas.É importante perceber que mesmo com a baixa assistência dada pelo governo esses atletas especiais não se deixam abater e vão em busca de outros meios para conquistarem seus objetivos.